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Problemas com a amamentação?

Problemas com a amamentação?

Problemas com a amamentação?
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Resolva todas as suas dúvidas

Dar peito, para as mulheres que são mães pela primeira vez, é um grande mistério difícil de enfrentar, para além disso, se não o souber fazer correctamente vai pensar que o bebé não está a ser alimentado adequadamente. Saber qual é a melhor posição, a quantidade, o que deve comer ou não, o que fazer quando voltar ao trabalho … são muitas as inquietações que rodeiam este tema, no entanto, existe uma solução para todas elas.

Qual é a melhor posição?

A melhor posição é aquela que lhe permita estar cómoda e descontraída. O mais adequado é que o corpo da mãe e do bebé estejam frente a frente. Pode ainda ser mais confortável se apoiar as costas e os braços numa almofada. Também pode dar peito ao bebé tombada, especialmente nos primeiros dias depois do parto e nas tomas nocturnas.

Para além da posição, também deve ter em conta o ambiente. É muito recomendável que escolha um lugar tranquilo, com uma luz suave, para estar relaxada e, assim, dedicar o tempo necessário à amamentação.

A criança deve ter o pescoço direito e ligeiramente curvado para trás, o seu corpo deve estar bem apoiado e voltado para a mãe. A cabeça, os ombros e o corpo do seu bebé devem estar em linha recta. O recém-nascido deve ser capaz de mamar sem ter de se esticar ou torcer.

Encoste o bebé ao seu peito e faça com que o lábio inferior toque no mamilo. Quando a criança abrir a boca, junte-a mais a si para que agarre o mamilo. Saberá que o seu filho está a mamar correctamente se:

- O queixo do bebé estiver a tocar no seu peito;

- Se a boca está muito aberta;

- Se o lábio inferior estiver virado para fora;

- Pode ver mais superfície do mamilo por cima do que por baixo da boca do bebé;

- Não sente nenhuma dor.

Um bebé que mama correctamente começa a mamar devagar e depois continua a mamar profundamente e com algumas pausas. Para além disso, dar peito não lhe deve causar qualquer tipo de dor. É normal que nos primeiros dias esteja muito sensível, mas não é normal se o seu peito sangrar ou se gretar.

Nunca se esqueça: Leve a criança ao peito e não o peito à criança!
 

Quando é que deve dar peito à criança?

O melhor, pelo menos nas primeiras semanas, é dar de mamar quando o bebé pedir e esquecer os horários. A maioria dos recém-nascidos, que são saudáveis, sabe perfeitamente quando necessitam de comer, durante quanto tempo e a quantidade. Ao princípio o bebé fará seis a oito tomas por dia. Dê peito ao bebé com frequência e a quantidade que ele quiser, isto também de noite. À medida que cresce o seu filho diminuirá as sessões de amamentação.

Os bebés demoram cerca de cinco minutos para extrair praticamente todo o leite e outros cinco minutos na sucção do leite cremoso que fica no fim da toma. No total serão 10 minutos em cada peito. Em qualquer caso, se passar os 10 minutos e o bebé continuar a mamar tranquilamente, nunca lhe tire o peito.

É importante que a criança vaze totalmente um peito antes de lhe oferecer o outro, isto porque o leite final é mais rico em gorduras e tem um valor calórico muito maior, o que produzirá uma maior sensação de saciedade. Dessa forma, a amamentação deve durar até que o bebé deixe o peito vazio. Na próxima vez que for amamentar o seu filho comece pela última mama em que ele mamou.

Como é que sei se o bebé está a engordar adequadamente?

Esta é, provavelmente, a maior preocupação de qualquer mãe: saber se o seu filho está a ingerir a quantidade necessária de leite e se o seu crescimento é o adequado. Para comprová-lo existem uma série de indicações:

- Nos primeiros dias, a seguir à amamentação o bebé suja uma a duas fraldas;

- Depois, durante o terceiro e o quarto dia, seis a oito fraldas;

- Durante os primeiros meses o bebé faz cocó pelo menos duas a cinco vezes em 24 horas.

- Toma o peito com frequência, mais ou menos seis a dez sessões por dia.

- Se ouve o barulho que o bebé faz ao mamar;

- Ganha cerca de 120 a 210 gramas por semana, depois do quarto dia a seguir ao parto;

- Esta desperto, tem bom aspecto, boa cor e a pele macia. A criança aumenta de comprimento e a sua cabeça fica maior.

Desta forma, o crescimento da criança deve ser controlado pelo pediatra. Você não deve estar obcecada com o tema e passar os dias na farmácia. Depois do primeiro mês deixa de ser necessário pesar o bebé todas as semanas, salvo em circunstâncias especiais.

E se fico doente?

As doenças mais comuns, como uma constipação, não impedem que dê peito à criança, no entanto, de certeza que vai estar mais cansada. Peça ajuda para que lhe levem o bebé à cama ou extraia o leite para poder dormir mais horas e para que o pai do bebé possa ficar entregue a algumas tomas. Alguns medicamentos estão contra-indicados durante a amamentação. Desta forma, consulte sempre o seu médico antes de tomar qualquer medicamento.

Posso beber álcool?

Não, o álcool passa para o leite da mesma forma que passa para o sangue, pelo que chegará ao seu bebé. Apesar de se dizer que a cerveja estimula a produção de leite, demonstrou-se que isso não é certo. Deve esperar pelo momento em que vai deixar de dar peito ao bebé para voltar a beber um copo de vinho.

E quando é que volto ao trabalho?

Depois de quatro meses de baixa, chega agora a hora de voltar ao trabalho, no entanto, você quer continuar a dar peito ao seu filho. Como compatibilizar as duas coisas?

A primeira coisa a fazer é informar-se sobre a legislação no que diz respeito ao tempo de licença e às regalias paras as recentes mães.

Para além destas opções legais, existe a opção de extrair o leite do seu peito, conservá-lo no frio para que qualquer outra pessoa possa dar biberão ao bebé. Actualmente, os extractores de leite são muito rápidos e fáceis de usar. O principal para conseguir fazê-lo é ter muita paciência. Ao princípio talvez lhe custe um pouco, no entanto, com o tempo tudo ficará mais cómodo.

Posso continuar a amamentar se estiver grávida?

Em princípio não haverá nenhum inconveniente físico nem médico. O problema é que durante a gravidez há níveis de estrogeneo e outras hormonas que diminuem a produção de leite e alteram o sabor do mesmo. Algumas crianças notam essas alterações e rejeitam o leite, outras não. Noutros casos é a mãe que sofre porque fica com os mamilos mais sensíveis e, apesar disso, alguns bebés continuam a sugar o leite.

Quando existir alguma ameaça de aborto deve parar de dar peito imediatamente. Se sentir contracções, a sucção estimula a produção de oxitocina, pelo que em alguns casos será necessário suspender a amamentação.

O que fazer quando o bebé recusa o peito?

Normalmente, o bebé recusa o peito por causa da má postura, de alguma doença ou, simplesmente, porque prefere o outro peito. Uma vez descartada a hipótese de doença ou corrigida a postura, um bebé pode continuar alimentando-se só de um peito. O único problema é que o tamanho deste peito será muito superior ao do outro o que pode vir a ser um problema estético para a mulher que só será corrigido com o fim da amamentação.

A recusa de ambos os peitos pode acontecer se a criança estiver doente (tem o nariz tapado, etc.) ou, o que é mais frequente, devido a alguma alteração que a mãe sofreu e que pode ter passado despercebida: menstruação, nova gravidez, alteração no sabor do leite provocada por alguns alimentos ingeridos, mudança de sabonete ou de desodorizante, algum transtorno na rotina habitual do bebé, etc.

A recusa bilateral pode ser passageira, tem de ter um pouco de paciência e assegurar um ambiente relaxado e tranquilo durante a amamentação. Também pode experimentar a dar peito ao bebé quando este estiver meio adormecido ou experimentar diferentes posições. Se nada funcionar, existe uma série de truques que pode tentar usar, como untar o mamilo com um pouco de leite para chamar a atenção do bebé ou extrair o leite e tentar dar à criança através do biberão.

A “crise dos três meses”

Nesta idade, os bebés podem ter alguns dias em que estão mais irrequietos, em que choram mais, em que não querem mamar, dormem menos, etc. Possivelmente isto deve-se ao amadurecimento do seu cérebro.

Nestas crises dos três meses o bebé reclama, querendo mamar mais frequentemente (o que faz a mãe pensar que o bebé tem fome), por isso o peito começa a ficar mais vazio. O resultado é que muitas mães decidem deixar de amamentar, o que é um erro.

Na realidade, o bebé pede mais porque está a crescer e o seu apetite aumenta, e a mãe nota menos leite porque nesta fase a produção de leite já se adaptou às necessidades do bebé.

O adequado é tentar adaptar-se ao bebé. Se pede mais peito porque necessita comer mais, a solução é que aumente o tempo da toma para que aumente também a produção. Se em vez do peito lhe está a dar biberão, deverá aumentar a quantidade de leite.

O meu filho morde-me o peito. O que devo fazer?

Como é muito doloroso, o mais normal é que não tenha a melhor reacção e que se acabe por fartar. No entanto, não deve gritar com a criança, pois ela não se dá conta do que está a fazer. Para tentar evitar que volte a acontecer, deve:

  1. Dizer “Não” de uma forma segura.
  2. Ficar com uma cara mais séria olhando a criança nos olhos.
  3. Tirar-lhe o peito da boca (e voltar a colocar de seguida).

 

As mensagens não-verbais (gestos) reforçam as suas palavras e ajudam o bebé a compreender. Afinal o bebé é pequeno e não sabe que esta atitude provoca dor na mãe. Logo, deve oferecer-lhe o peito de novo depois de dizer “não mordas”. Se for necessário repita, mas a criança vai aprender pouco tempo depois. Se o bebé se assustar quando disser “não”, console a criança mas sem dar-lhe o peito novamente.

Tenho o mamilo invertido. Poderei dar de mamar?

A forma do mamilo não deve representar um problema para a amamentação. A maioria dos casos de mamilos invertidos podem ser solucionados quando o bebé começar a mamar. Contudo, nos primeiros dias é preciso um pouco de ajuda para que o recém-nascido se agarre ao peito.

Pode tentar uma coisa - com o dedo indicador e o polegar aperte os dois pontos opostos da auréola e observe o que ocorre com o mamilo:

- Se sair para fora não é um mamilo invertido mas apenas plano. Isso resolve-se a pouco e pouco.

- Se se afunda ainda mais, é um mamilo invertido “verdadeiro” e será mais difícil conseguir que a criança agarre bem o peito, contudo, não é impossível.

No primeiro caso, assim que o bebé inicia a sucção o mamilo vai saindo a pouco e pouco. Também já existem dispositivos para puxar o mamilo para fora.

No segundo caso, o mamilo invertido dificulta a amamentação do bebé. Dessa forma, pode ser necessário recorrer aos tais dispositivos para inverter o mamilo. Só em poucas situações é que a amamentação não é possível directamente do peito.

Dói-me muito o peito

Um peito pode inflamar e doer por vários motivos: ingurgitação ou obstrução e infecção (mastite).

A ingurgitação ocorre quando os peitos produzem mais leite do que o lactante extrai, aumentando ambos de tamanho e provocando dor. Isto só acontece no inicio da amamentação com a “subida do leite” (com maior probabilidade no primeiro filho) e quando durante os primeiro dias de amamentação o bebé tem horários rígidos e poucas tomas por dia. Em épocas posteriores à amamentação é mais raro, no entanto, pode acontecer se existir uma separação momentânea entre a mãe e o bebé ou se o bebé mama menos por estar doente ou por outro problema qualquer.

A solução é simples: extrair o leite (amamentando ou com extractores próprios) e acalmar a dor com anti-inflamatórios.

A mastite é a inflamação da glândula mamária, normalmente provocada por uma infecção. As mulheres que sofrem deste problema podem mesmo vir a ter febre e mal-estar como os da gripe (dores nos ossos e nas articulações). O tratamento fundamental será o mesmo da ingurgitação: extrair o leite com muita frequência e acalmar a dor com anti-inflamatórios. Também é útil massajar frequentemente a zona inflamada. Se a amamentação for muito dolorosa, pode oferecer primeiro o outro peito ao bebé para que as primeiras sucções, que são mais vigorosas, sejam realizadas no peito que não dói. Quando sentir a subida do leite, mude o bebé de peito para que esvazie melhor o peito inflamado.

O leite do peito que está doente é ligeiramente mais salgado, pelo que o peito pode ficar mais sensível e ferir. Desta forma, e o mais provável é que tenha de utilizar com maior frequência os extractores de leite.

Se o problema não se resolver em 24 horas, terá que tratar a infecção com antibióticos que sejam compatíveis com a amamentação.

Tenho pouco leite

Em geral, todas as mães produzem a quantidade exacta de leite que os seus bebés necessitam. Quando a mãe nota que tem pouco leite, o habitual é que a posição em que dá de mamar ao bebé não seja a correcta, pelo que o bebé não esvazia bem os peitos e estes deixam de produzir a quantidade necessária. Existem mães que não sentem a “subida” do leite e, dessa forma, acham que não estão a produzir o necessário.

Para solucionar este problema, deve colocar o bebé a mamar sempre que este queira e assegura-se de que a criança está na posição correcta. Dar peito regularmente faz com que se estimula a produção e se assegure o funcionamento das hormonas do leite. Pode ser útil, para além disso, usar extractores de leite para esvaziar um pouco de leite dos peitos e, dessa forma, estimular a produção.

E se são gémeos?

Como já foi dito anteriormente, o corpo é muito sábio e produz a quantidade necessária para alimentar um bebé. Desta forma, se tiver dois bebés o seu corpo produzirá o dobro. Simplesmente terá de se ajeitar e pode dar-lhes de mamar ao mesmo tempo.

Convém que ao princípio amamente os bebés separadamente. Será mais fácil e, para além disso, vai permitir que conheça cada criança. Quando tiver mais prática já pode amamentá-los ao mesmo tempo: coloque cada um do seu lado, apoiados nos seus braços e com as cabeças em almofadas.

Tenho de dar água ao bebé?

Normalmente, com a amamentação o bebé não necessita de água (mesmo em climas muito quentes). No entanto, quando começar a complementar a amamentação com suplementos é bom que comece a dar água à criança.



 

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