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Cesariana. Tudo o que sempre quis saber!

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Quando é que se recomenda uma cesariana? É perigoso? Onde é que corta? A cicatriz é muito grande? Quanto tempo é que se tem de esperar para se voltar a engravidar? Estas são apenas algumas das perguntas que todas as mulheres grávidas fazem em algum momento da gestação.

Nos últimos anos o número de cesarianas aumentou consideravelmente em alguns países. Esta tendência explica-se por diferentes motivos: diminuição das complicações, melhoramento nos antibióticos, pela crescente ideia de que uma cesariana é a solução para todas as complicações de um parto (incluindo da dor) e, por vezes, até pela comodidade, tanto para a paciente como para o médico.

De onde é que vem a palavra cesariana?

  • Pode derivar do latim “caedere”, “cortar”.
  • Outra possibilidade é que tenha surgido do nome do imperador Júlio César.
  • Também se diz que a lei romana prescrevia que este procedimento devia ser levado a cabo no final da gravidez para se salvar o bebé de uma mulher que estivesse a morrer. A essa lei chamou-se “caesarea”, este termo pode ser a origem do nome “cesariana”.
  • O mais provável é que seja uma combinação de todos os pontos anteriores.

Quando é que se pratica uma cesariana?

A cesariana pode ser de dois tipos: planeada antes do parto (por diferentes motivos) e de urgência.

Os principais motivos para se realizar este tipo de operação de urgência são:

  • Anomalias no desenvolvimento do feto.
  • Ritmo cardíaco do feto anormal.
  • Posição anómala do feto dentro do útero.
  • Uma gravidez múltipla.
  • Doença materna extrema, como doenças cardíacas, pré-eclampsia, etc.
  • Infecção activa da herpes genitais.
  • Infecção materna com o vírus da SIDA.
  • Cirurgia uterina prévia, como cesarianas anteriores.

Como realizar uma cesariana?

Irene Juárez, parteira espanhola, explica como é que se processa uma cesariana programada: “A grávida é internada às 8 horas da manhã do mesmo dia da operação. Aí a mulher segue uma dieta absoluta e é submetida a diversos exames. Depois é prescrita à mãe uma antibioterapia profiláctica e são administrados medicamentos para evitar uma trombo embolia”.

Geralmente, o seu marido pode permanecer ao pé de si durante toda a preparação para a operação e também durante o período da cesariana. Coloca-se um cateter na bexiga, desinfecta-se a zona que vai ser cortada com anti-sépticos especiais e cobre-se o seu corpo com panos especialmente esterilizados, um dos quais cobre e separa a sua cara para que não veja o que a equipa médica está a fazer.

Uma vez que a anestesia está actuar, o cirurgião realiza uma incisão horizontal sobre a pele, justamente por cima do osso púbico. Os músculos abdominais não são cortados. Depois de se cortar cinco tecidos diferentes alcança-se a superfície do útero onde se realiza uma incisão horizontal similar à da pele e se extrai o bebé através das incisões, corta-se o cordão umbilical e entrega-se a criança à parteira. Enquanto o bebé é examinado, o cirurgião completa a extracção da placenta e das membranas ovulares, vê se tudo está bem e começa a coser todos os tecidos que foram cortados. Durante esta fase da operação é normal sentir náuseas.

Existem umas diferenças se a cesariana for feita de urgência. Uma delas é que tudo se passa muito mais depressa, não dá tempo para colocar a anestesia espinhal ou epidural, pelo que se utiliza uma anestesia geral. A outra é que às vezes, para se acelerar o nascimento, faz-se um corte vertical no ventre em vez do típico corte horizontal.

Quanto tempo dura a operação?

Desde que se realiza a primeira incisão até o bebé nascer não passam mais de dez minutos. O processo completo dura mais ou menos uma hora, já que pode chegar a demorar 45 minutos a cozer a ferida.

Formas de se evitar uma cesariana

  • Mantenha-se em forma antes da gravidez. Isto fará com que possa enfrentar um parto vaginal.
  • Evite que se provoque o parto se não houver motivos para o médico fazê-lo.
  • Beba líquidos, se puder, durante o trabalho de parto ou peça que a mantenham hidratada.
  • Fique em casa até que entre na fase activa. Sempre e quando o bebé se estiver a movimentar bem, sempre que as águas não tenham rebentado e sempre que não observar sangramento.

Que tipo de anestesia se utiliza?

Na maior parte dos partos por cesariana usa-se uma anestesia epidural, pelo que estará desperta durante o processo. Embora permaneça sem sensibilidade à dor, sentirá uma certa pressão durante o processo. A anestesia espinhal faz efeito passados 5 a 10 minutos, pelo que também pode ser utilizada em algumas cesarianas de urgência. Se não for possível, utiliza-se anestesia geral e, neste caso, o seu marido não poderá estar presente.

Que riscos implica?

As cesarianas estão envoltas em procedimentos muito seguros. A taxa de complicações sérias, como a morte da mãe, é extremamente baixa. No entanto, é certo que alguns riscos são mais altos depois de uma cesariana do que depois de um parto vaginal. Esses riscos, entre outros, são: reacções aos medicamentos, problemas respiratórios derivados da anestesia, sangramento ou infecções derivadas da cirurgia, infecção da bexiga ou do útero, lesão do tracto urinário ou lesões no bebé.

De acordo com Irene, “um parto por cesariana é mais agressivo, tanto para o bebé como para a mãe, do que um parto por via vaginal. Não dá tempo aos bebés de se prepararem e, de repente, encontram-se fora daquela que foi a sua casa durante nove meses e passam a estar num lugar frio, com muita luz (para os bebés a luz forte é bastante agressiva), com muitos ruídos estranhos, etc. Para além disso, os bebés apenas vêem as suas mães durante um segundo (isto se a mãe não levou anestesia geral) e levam-nos para um berço ou para uma incubadora numa sala durante 4 a 6 horas até que os devolvam às suas mães. A primeira comida realiza-se umas seis horas depois de nascer. Enquanto que nos partos naturais, a primeira coisa que se procura é o contacto entre mãe e filho, onde o bebé acaba por mamar cerca de 30 minutos imediatamente depois do nascimento”. No entanto, Irene reconhece que as cesarianas são totalmente necessárias em muitos casos e que salvam muitas vidas. É apenas uma questão de se escolher quando é que é necessária ou não.

Quanto tempo dura a recuperação?

Ao princípio sentirá algumas dores. Geralmente, depois da cirurgia permanecerá entre 3 a 5 dias no hospital. Com qualquer anestesia que se tenha utilizado estará capacitada para levantar-se e caminhar antes de fazer as 24 horas. Solicite analgésicos adequados todas as vezes que precisar. Depois das primeiras 24 horas, já sem o cateter endovenoso e urinário, poderá começar com a ingestão de alguns alimentos.

Irene explica que “ a recuperação é pior que num parto vaginal, claro que cada mulher vê isto da sua maneira. Passado um ano de uma cesariana as mulheres ainda podem sentir algum desconforto na cicatriz”.

A cicatriz é muito grande?

Actualmente, e graças ao corte horizontal que se pratica, a cicatriz é muito pequena e pode ser tapada com os pêlos púbicos.

Quanto tempo é que tenho de esperar para voltar a ficar grávida?

O melhor é esperar uns dois anos para voltar a ter um filho. Tente não fazer mais de duas cesarianas ao longo da sua vida.

Posso ter um parto vaginal depois de uma cesariana?

Muitas mulheres podem ter um parto vaginal depois de terem um parto por cesariana. De acordo com a Organização Mundial de Saúde cerca 80% das mulheres que passaram por uma intervenção cirúrgica para dar à luz podem ter um parto natural posterior.

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