Como se desenvolve o cérebro do feto?

Como se desenvolve o cérebro do feto?

Comentarios3 comentarios
Comparte
Como se desenvolve o cérebro do feto?

A partir dos 18 dias o cérebro começa a desenvolver-se formando as células nervosas que posteriormente serão os neurónios. Durante este processo, o feto produz mais células neuronais do que as que necessita quando nascer (muitas delas morrem se não são estimuladas). Por isso, cantar, falar e colocar música para o bebé quando ainda está na barriga é essencial para ajudá-lo a potenciar a sua inteligência. O correcto desenvolvimento do bebé também depende da nutrição da mãe durante a gravidez. Desta forma, as mulheres que se encontram grávidas devem prestar especial atenção à sua alimentação durante os 9 meses.

Primeiras semanas

O órgão mais complexo de um bebé, o cérebro, começa a desenvolver-se aos 18 dias da gestação. À medida que as células nervosas unem as suas forças formam-se umas “pregas” e umas “cavidades” e as diferentes partes do cérebro assumem as distintas funções do prosencéfalo, mesencéfalo e cerebelo. Enquanto isto acontece, já se pode dizer que a estruturação básica do sistema nervoso do feto está em vigor.

Segundo trimestre

Embora o sistema nervoso ainda seja relativamente imaturo, a base do mesmo desenvolve-se desde as 16-18 semanas. A primeira actividade cerebral que se regista produz-se às sete semanas, coincidindo com os primeiros movimentos do feto. As ondas cerebrais tornam-se mais regulares a partir das 10 semanas. A primeira distinção dos tipos de ondas cerebrais (que depende da longitude da onda) produz-se às 20 semanas.

Os neurónios do bebé multiplicam-se a um ritmo de 250 mil por minuto. Estas células estão conectadas a milhões de axônios (extensões neuronais que transmitem os impulsos nervosos do corpo celular) sob a forma de uma rede de fios em circuito. Na vigésima quinta semana já a maioria dos axônios chegou ao seu destino e, dessa forma, a rede neuronal já está no lugar certo.

Durante o desenvolvimento, o cérebro produz o dobro das células de que necessita o bebé. Biliões delas estão conectadas e necessitam de ser estimuladas para estabelecerem conexões com as outras. O excesso de células que não é estimulado não se conectará e acabará por morrer. Trata-se de um processo natural que tem lugar em torno do oitavo mês, de modo que não há que esperar até que o bebé nasça para começar a estimular a sua capacidade mental: quantas mais conexões se produzem no útero, menos células nervosas morrem …

Terceiro trimestre

Mais ou menos à vigésima sétima semana a superfície cerebral aumenta, no entanto, continua lisa. Produz-se um surto de crescimento para aumentar o número de neurónios, para desenvolver as dendritas (as projecções do corpo celular que recebem os impulsos de outros neurónios), para aumentar as conexões sinápticas (descargas químico-eléctricas que os neurotransmissores libertam) entre os neurónios e para desenvolver a bainha de mielina (uma camada isolante que se forma junto aos nervos permitindo a transmissão rápida e eficaz dos impulsos ao longo das células nervosas) que protegem os axônios.

Na trigésima semana a superfície cerebral já formou uns “ranhuras” e umas circundações e parece-se com uma noz. Estas ondulações aumentam visivelmente a superfície do cérebro, de modo a que caibam mais células e que estas se possam conectar.

Uma semana depois os neurónios supérfluos começam a morrer. Este processo de morte celular programado está idealizado para conservar as vias neuronais de utilidade e alcança o seu máximo quatro semanas antes do nascimento do bebé. Os neurónios que morrem consideram-se excessivos por não terem sido estimulados adequadamente.

Na trigésima sexta semana, o sistema nervoso está completamente desenvolvido e o cérebro já é um jogo completo de 100 biliões de neurónios.

Alimento do cérebro

A nutrição da mãe é essencial para o correcto desenvolvimento e funcionamento do cérebro. Os importantes e cruciais ácidos gordos devem vir necessariamente da mãe porque o feto é incapaz de fabricá-los. Se não tiver a quantidade suficiente o feto vai substituí-los por outros ácidos gordos inferiores que, a longo prazo, podem exercer qualquer outro efeito sobre o cérebro ou sobre o sistema nervoso.

O ácido fólico é uma vitamina B que ajuda a prevenir defeitos da medula espinhal e do cérebro. Os problemas do cérebro acontecem no primeiro mês de gravidez e, dessa forma, uns meses antes de ficar grávida deve tomar 400 microgramas de ácido fólico por dia para reduzir este risco. Uma vez grávida deve aumentar esta quantidade para as 600 ou 800 microgramas.

Para além disto, a colina e o iodo também são essenciais para o desenvolvimento cerebral. A primeira, também uma vitamina B, é necessária para fabricar as membranas celulares e para a divisão celular. É usada pelas células nervosas e, de acordo com estudos efectuados sobre animais, associa-se aos centros de memória e aprendizagem do cérebro. Uma dieta equilibrada pode proporcionar algumas quantidades de colina, contudo, as suas principais fontes são os ovos, a carne vermelha, a soja, o grão, o arroz ou os amendoins.

O iodo é verdadeiramente essencial no menu diário em toda a gravidez. Uma alimentação pobre neste mineral pode acarretar problemas na tiróide das mães, o bebé pode mesmo nascer com hipertiroidismo e pode ainda causar lesões cerebrais na criança durante a gravidez e durante a amamentação.

Como as quantidades diárias são difíceis ou até mesmo impossíveis de manter, sempre que o médico recomendar deve suplementar a sua dieta com produtos farmacológicos.

Para além destes micro nutrientes, o tecido cerebral também necessita de gordura. Na verdade, mais de 60% do cérebro é composto de gordura, sobretudo, de ácidos gordos polinsaturados. Como o bebé não é capaz de fabricar os seus próprios ácidos gordos e necessita que o abastecimento dos mesmos provenha das reservas da mãe, a dieta de uma grávida deve conter:

- DHA (ácido docosahexaenóico), um ácido gordo rico em ómega 3 que compõe 10 a 15% do peso do córtex cerebral de um bebé e que se encontra principalmente no salmão, nas anchovas, etc.

- E AA (ácido araquidônico), que se encontra principalmente nas sementes, como de abóbora, de girassol e que cuja carência pode favorecer uma menor inteligência e problemas como a dislexia.

Estimulação dos neurónios

Um bebé nasce com a totalidade dos neurónios activos. Para além disso, o recém-nascido dispõe de duas a três vezes mais neurónios do que os que terá na idade adulta.

Por volta dos oito meses de gestação metade dos neurónios degeneram-se e morrem: trata-se de um processo fisiológico normal. Em alguns casos deve-se ao facto de já terem cumprido com as suas funções e de, agora, já não serem necessários. Noutros casos, a morte deve-se ao facto de estes neurónios não terem sido estimulados o suficiente para estabelecerem conexões.

À medida que se estabelecem conexões entre os neurónios, a estimulação de uma determinada via neuronal provoca a libertação de neurotransmissores. Este processo assegura um maior número de neurónios no cérebro do bebé, o que vai definir o seu potencial intelectual. Desta forma, é importante que estimule a criança quando esta ainda está dentro da sua barriga.

O seu bebé ouve sons e vê a luz. Deve falar-lhe, cantar-lhe, colocar música, etc. Pode gravar a sua voz e a do pai e colocar a partir da vigésima semana de gestação. Grave frases alegres, positivas e carinhosas. Também pode colocar música clássica. O aparelho que reproduz o som deve estar ao nível da linha do bikini e o volume deve ser o mesmo do tom das vozes.

Estudos sobre o desenvolvimento do cérebro

Estudos recentes levados a cabo por uma equipa científica mostram que o património genético da mãe influência directamente o desenvolvimento do feto, em particular o do cérebro.

Durante a gestação a criança, o pai e a mãe transmitem cada um a sua parte do património genético. Mas esta equipa cientifica descobriu uma influência da progenitora sobre o feto independentemente dos genes que o bebé adquire do pai. Dessa forma, os investigadores afirmam que a serotonina materna apresenta um papel crucial no desenvolvimento do feto, em particular do cérebro, do coração e do sistema digestivo.

A serotonina, uma substância que actua principalmente como neurotransmissora, está implicada em processos distintos: na regulação do ciclo do sono/vigília, no controlo da temperatura corporal, na pressão arterial, na toma de alimentos e no comportamento sexual ou maternal. Esta equipa francesa mostrou ainda que nos primeiros estádios embrionários esta substância provém da mãe.

 

Outros estudos afirmam que o ar poluído pode prejudicar o desenvolvimento do cérebro dos bebés durante a gravidez e até mesmo na infância. Desta forma, a criança pode vir a sofrer de problemas de aprendizagem e de memória.

3 Comentarios

Anônimo
Entrar na sua conta ou registre-se para comentar este artigo.

Discusión

tenho uma grande dúvida. Durante a amamentação, fico o tempo todo navegando no celular. Pergunto se essa proximidade do celular com o nene é possivel ?
muito interessante
Obter informações sobre a gravidez.

Ingresa con tu cuenta de TodoPapás

Recordar Contra-senha

Inscrever-se em TodoPapás

¿Te has registrado anteriormente?
Ingresa con tu cuenta

Pesquisas mais populares