Até há bem pouco tempo o pai representava a figura da autoridade na família: a sua presença afectiva não era considerada indispensável nem necessária na educação das crianças. Hoje em dia, sabemos que o pai exerce uma influência muito positiva na formação da personalidade do filho, desde a sua mais tenra idade.
Da psicologia do século XX à nova distribuição dos papéis da família
A psicologia do século XX atribuía ao pai a função de representar a lei, a autoridade e a seriedade perante os olhos dos seus filhos e, inclusive, da mãe. Era o transmissor das regras com um papel principal de socializador primário nas crianças. O que estava encarregue de dizer “não” e de castigar se fosse necessário. A tudo isto há que juntar a função económica, da qual era o único responsável.
Frente a isto, na perspectiva clássica, a mãe aparecia ligada ao lado emocional, da ternura e dos beijos.
No entanto, os tempos mudaram e as famílias também. A mulher passou a fazer parte do mundo laboral, cada vez é mais independente economicamente e passa mais tempo fora de casa. Para além disso, ao conceito tradicional de família juntaram-se muitas outras expectativas como as famílias monoparentais, famílias reconstruídas, etc.
Todas estas alterações motivaram o facto de agora os pais estarem cada vez mais envolvidos não só na educação dos seus filhos, mas também em aspectos do dia-a-dia como nas brincadeiras, no banho e na alimentação, com uma atitude de maior afectividade e ternura perante os filhos.
Influência afectiva e efectiva do pai
Os sociólogos sublinham a importância da figura paterna para as crianças, desde o seu nascimento até à idade adulta, situando-a ao mesmo nível que a materna.
O pai actual está consciente das suas responsabilidades sem deixar de lado a sua capacidade para brincar com as crianças, contar-lhes histórias e implicar-se ao mesmo nível que a mãe sem que isto suponha a perda da sua identidade masculina nem a sua virilidade.
Os especialista referem que o papel paterno é fundamental para o desenvolvimento da criança, transmissor de conhecimentos, de experiência … Os filhos vêem-no como um exemplo a seguir e as filhas procuram, depois da puberdade, um modelo de homem parecido ao seu pai.
Que tipo de pais existem hoje em dia?
Segundo Gema Theus, psicóloga e directora do centro de educação infantil MamaOca, podemos distinguir cinco tipos de “papás”:
- Pais ausentes
A figura do pai ausente continua a existir nos dias de hoje. Os motivos podem ser vários, entre eles, mães que decidiram ter os seus filhos sozinhas ou que sofreram separações muito traumáticas. Nestes casos não há a presença física paterna na vida da criança. Se alguma vez se virem a criança pode reagir com estranheza ou medo. A mãe assume o papel de pai e mãe a 100%.
- Pais “muito ocupados”
Normalmente estes pais estão orgulhosos dos seus filhos, mas delegam na mãe, independentemente de esta trabalhar ou não, a organização dos horários, refeições, actividades … As crianças estão sempre desejosas de verem os seus pais porque quando o fazem habitualmente significa brincadeira e diversão. Em algumas ocasiões mais que brincar, mantêm a distância porque o papá é essa personagem sempre cansado do trabalho com o qual devem portar-se bem. As mães assumem grande parte da figura paterna, pelo menos em termos de presença física.
- Pais comprometidos
São aqueles que tentam comprometer-se com a função de pai. Gostam de estar envolvidos nas actividades da vida diária dos seus filhos, mas perante as eventualidades importantes recorrem à mãe pois é ela que conhece com detalhe o tema. As crianças mantêm uma excelente relação com este tipo de pai embora a mãe seja o verdadeiro refúgio e segurança quando algo crítico acontece. Os pais comprometidos são os que realizam actividades em função do tempo disponível.
- Pais a 50%
São aqueles que se organizam com a mulher e coordenam as obrigações e responsabilidades dos seus filhos a 50%. Indistintamente levam ou vão buscar os filhos à escola, ficam com eles tardes ou fins-de-semana, ocupam-se de qualquer actividade da vida dos seus filhos do princípio ao fim, etc. O pai conhece a criança tal como a mãe, já a criança reage de igual modo com ambos.
- Pais a tempo inteiro
Para este tipo de pai também existem vários motivos para que tenham a custódia plena dos seus filhos: viúvos, divorciados ou simplesmente porque decidiram ser pais a toda a custa, desfrutarem dos seus filhos e vê-los crescer. Deixam o seu trabalho e cuidam dos seus filhos com o mesmo esforço que uma mãe clássica. Por vezes o medo que têm de enganar-se torna-os mais perfeccionistas. As crianças nestes casos não deixam dúvidas e sentem nos pais o verdadeiro refúgio.
Não existe um papel mais ou menos adequado, cada pai assume a sua função condicionada pelas circunstâncias afectivas, económicas e laborais. O que de facto é importante é o interesse que têm pelos seus filhos. Um simples sorriso ou um simples abraço podem transmitir muito mais o amor paterno que o facto de passarem todo o dia com eles mas ocupados e pensando noutras coisas.
O que podem fazer para serem bons pais?
Ser um pai do século XXI é muito fácil! Aqui ficam alguns conselhos do Todopapás.
Implicar-se desde o primeiro dia do nascimento, que podem mesmo ser os mais difíceis para a mãe:
- Trocar o bebé
- Dar-lhe o biberão (se esta for a opção escolhida pela mãe)
- Levantar-se durante a noite
- Assistir a todas as visitas ao pediatra ou até mesmo ir sozinho com a criança
- Dar-lhe banho
- Ajudar a manter a ordem em casa (algo bastante complicado … com uma criança)
- Levar a criança a visitar os avós, tios, primos, etc.
- Levar a criança a passear
Quando a criança é um pouco maior:
- Preparar a comida
- Dar-lhe de comer
- Dar-lhe banho
- Dedicar um tempo considerável à brincadeira
- Preparar planos para o fim-de-semana
- Levar ou ir buscar a criança à escola ou Jardim de Infância
- Assistir às reuniões na escola da criança
- Ensinar a criança a vestir-se, pentear-se, escovar os dentes, estar à mesa, etc.
- Levar a criança a visitar os avós, os tios, etc.
- Ler-lhe histórias antes de ir dormir.
Parece difícil? Ao princípio pode custar um pouco, mas não duvide, é uma experiência que vale a pena e … é irrepetível! Para além disso, este momento para que os seus filhos o oiçam com toda a atenção nuca mais vai ser a mesma.