Ossos saudáveis na infância

Ossos saudáveis na infância
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A osteoporose tem aumentado significativamente ano após ano, afectando uma grande parte da população portuguesa. Desta forma, é necessário começar a prevenir desde a infância, um período crucial para o desenvolvimento dos ossos, já que na infância desenvolve-se mais de 90% da massa óssea de um adulto.

O que é a osteoporose?

A osteoporose é a doença metabólica óssea mais frequente, definida como uma doença sistémica do osso associada aos mais velhos que começa na infância, caracterizada pela diminuição da resistência óssea facilitando o desenvolvimento de fraturas. O seu tratamento requer alguma medicação e o abandono de hábito tóxicos, como o álcool ou o tabaco.

Responsável pela maioria das fraturas por fragilidade, tem um carácter epidémico e estimou-se que afeta cerca de 75 milhões de pessoas na Europa, Estados Unidos da América e Japão, sofrendo assim uma destas fraturas entre 30 a 50% das mulheres e entre 15 a 30% dos homens ao longo da sua vida.

Prevenindo desde a infância

O osso é composto, principalmente, por minerais estremesclados numa matriz orgânica que dá lugar à sua forma e função. Daí a importância de uma nutrição adequada, principalmente durante o desenvolvimento esquelético, para conseguir um pico de massa óssea suficiente e contar com uma reserva adequada de minerais que compensem as suas perdas na segunda parte da vida, o que evitará alterações da microarquitectura e, dessa forma, a facilidade para as fraturas.

Dermatite atópica na infância: sintomas e tratamento!

Dermatite atópica na infância: sintomas e tratamento!

A prevalência da dermatite atópica é muito maior nas crianças que nos adultos, sobretudo devido à natureza evolutiva da mesma, segundo a qual muitas crianças com dermatite atópica estarão livres desta doença passados alguns meses ou anos. Assim, cerca de 60% dos casos aparecem antes dos 12 meses de idade e 30% ou mais entre os 12 meses e os 5 anos de idade. Calcula-se que a dermatite atópica afecta actualmente cerca de 20% da população infantil dos países desenvolvidos.

A infância é o período crucial para o desenvolvimento dos ossos, já que é nesta etapa onde se desenvolvem mais de 90% da massa óssea que um adulto terá. Pela constituição própria do ser humano, durante a idade infantil, pequenas modificações no estilo de vida e na alimentação da criança produzem alterações rápidas e efetivas sobre a construção e formação dos ossos que podem prevenir e evitar doenças ósseas que darão sintomas em idades mais avançadas. Desta forma, observou-se que melhoras na formação óssea infantil podem retardar cerca de 13 anos o aparecimento da osteoporose.

Assim, estima-se que entre 80 a 90% do pico de massa óssea, ou seja, a quantidade total de tecido ósseo alcançado no final do amadurecimento esquelético, alcança-se nas primeiras décadas de vida, variando de acordo com a região do esqueleto. A importância de alcançar um bom pico de massa óssea durante a infância, da qual depende a densidade e qualidade dos ossos na vida adulta, reside neste mecanismo de proteção frente às fraturas por fragilidade óssea, que vai depender basicamente, para além dos fatores genéticos e hormonais, de dois fatores potencialmente e fisiologicamente modificáveis: a nutrição e o estilo de vida, estando assim intimamente ligado à ingestão de cálcio e vitamina D na infância.

O aporte de cálcio durante a infância e a adolescência é fundamental para alcançar ossos saudáveis e para reduzir o risco de osteoporose e fraturas derivadas ao longo da vida. Por isso, as recomendações atuais de cálcio são de 800 mg diárias nas crianças de 4 a 8 anos e de 1300mg entre os 9 e os 18 anos. A ingestão de cálcio é feita através da alimentação, essencialmente através dos derivados lácteos. O peixe, cereais, ovos, frutas, verduras e o pão também o têm, embora em menor proporção. Para além disso, os alimentos com muita gordura ou fibra, ingeridos na mesma refeição, podem impedir a sua absorção.

Para a vitamina D a solução é um pouco mais complexa, já que este elemento se sintetiza com a exposição solar, estando presente em muito poucos alimentos, como podem ser os peixes azuis, a sardinha, o atum, a cavala... Se não existir vitamina D suficiente não se produz a forma hormonalmente ativa (calcitrol) adequadamente e não se absorve o cálcio proveniente da alimentação, desviando assim o organismo o cálcio necessário para a calcificação do esqueleto e diminuindo, dessa forma, a qualidade dos ossos.

Na maioria dos países do mundo a ingestão de cálcio e vitamina D está abaixo da recomendação indicada, observando-se em diversos estudos epidemiológicos que as crianças portuguesas não obtêm a quantidade de cálcio necessário através da dieta diária, já que cerca de 60% das meninos portuguesas têm um défice de vitamina D e apenas 10% das meninas alcançam a ingestão correta de cálcio diária para obterem ossos fortes, saudáveis e resistentes no futuro.

Desta forma, as crianças e adolescentes saudáveis em Portugal têm uma ingestão insuficiente tanto de cálcio como de vitamina D numa etapa crítica do seu desenvolvimento ósseo, sendo especialmente vulneráveis as meninas pois são mais intolerantes à lactose e mais submetidas a determinadas dietas. Assim, pais, educadores, médicos de família, pediatras, endocrinologistas e nutricionistas podem estimular ativamente a saúde dos ossos, apoiando na sua prática habitual o objetivo de conseguir o consumo de cálcio e vitamina D necessário para as crianças e adolescentes, promovendo a ingestão de produtos lácteos suficiente e recomendada.


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