O uso da espera e do silêncio como estratégia para promover o desenvolvimento da linguagem nas crian

O uso da espera e do silêncio como estratégia para promover o desenvolvimento da linguagem nas crian
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Um adulto que se comunica eficazmente com uma criança que está a aprender a falar acomoda-se ao ritmo da criança, deixa-lhe tempo, espera por ela e, desta forma, mostra-lhe o seu respeito e confiança nas suas capacidades de comunicação.

No caso das crianças que estão a ter mais dificuldade em adquirir e desenvolver uma língua, o mesmo deveria acontecer com as crianças. É muito importante que os pais (e os adultos em geral à sua volta) se adaptem ao ritmo da criança, que não invadamos os seus espaços de conversação e que demos tempo e espaço suficientes para que a criança tome a sua vez.


Quando a criança toma a sua vez, seja para responder a uma pergunta que lhe fizemos, seja para expressar algo, ela vai precisar do seu tempo. E esse tempo também será maior ou menor, a depender da idade e do nível de desenvolvimento da criança. Quanto mais jovens eles são, mais tempo precisam para que possam expressar o que querem nos dizer. Não devemos ter pressa.


Devemos ter em mente que a forma como a criança pode expressar, responder, em suma, tomar a sua vez, pode ser muito diversa: desde um gesto facial, até apontar, um som, um balbuciar, uma palavra ou um discurso mais elaborado. Temos de dar a todas estas diferentes emissões a importância que têm, que dependerá também da idade e do nível de desenvolvimento.

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Se fizéssemos uma auto-avaliação da forma como nos comunicamos e falamos com os nossos filhos, perceberíamos que talvez estejamos a fazer demasiadas perguntas à criança e que estamos a deixar muito poucos espaços para que a criança se tenha seu turno. Se assim for, temos de pôr em prática esta estratégia de espera e silêncio. No início pode ser um pouco difícil, pois pode parecer que há muitos silêncios e pausas muito longas, mas é essencial que assim seja. É até recomendável contar até dez enquanto esperamos pela nossa vez de novo!


Aceite a iniciativa da criança... e espere


Além de esperar, devemos aceitar a iniciativa da criança, o que significa observá-la e ver o que lhe chama a atenção, conhecer suas expressões faciais e corporais e interpretar seus sentimentos e interesses. Significa responder com sensibilidade. Significa esperar e dar-lhe o tempo que ela precisa. Quando isso acontece, a criança sente-se reconhecida e compreendida e isso dá confiança, segurança e encorajamento para continuar a comunicar. Ao deixar tempo e espaço suficientes, as voltas comunicativas entre adulto e criança acontecem, a verdadeira comunicação.


Passar tempo de qualidade com os nossos filhos


Para poder fazer tudo isso, é necessário que tenhamos momentos calmos e relaxados nos quais possamos nos oferecer à criança com toda a nossa presença. Momentos que escolhemos diariamente, mesmo que sejam apenas 15 minutos, mas nos quais estamos presentes, receptivos, calmos e nos quais não temos pressa. Desta forma, poderemos dar às crianças o espaço e o tempo de que necessitam para comunicar.


Portanto, é necessário ter tempo de qualidade com nossos filhos, de preferência todos os dias (mesmo que não sejam muito longos), para poder estar com eles e conversar e ouvi-los com calma. Estes momentos podem ser momentos de rotinas diárias, como a hora do banho, o vestir-se, a preparar a comida enquanto estão com nos, ou momentos de brincadeira e leitura de histórias. Momentos em que temos que nos mostrar relaxados e presentes à criança, sem que haja muitos ruídos ambientais ou interrupções da atividade.


Adaptando-se à criança... e esperando


E finalmente, além de aceitarmos a iniciativa da criança, também nos adaptaremos a ela, colocando-nos ao seu nível, seja no momento do jogo ou assistindo a uma história, olhando para seu rosto, mostrando-lhe que estamos escutando-o, imitando-o, interpretando o que ele está tentando nos dizer, comentando, colocando palavras e linguagem no que está acontecendo. Mas procurando esse equilíbrio em que não invadimos os seus espaços comunicativos e voltas.


Equilibrar a linguagem


É importante colocar a linguagem naquilo que as crianças podem estar a tentar dizer nas fases iniciais de desenvolvimento ou quando há um atraso na linguagem, para ser capaz de dar modelos linguísticos, para dar feedback consistente às transmissões das crianças, mas sem cair no extremo de falar sem parar e sem deixar à criança a oportunidade de comunicar.


Se a criança está na fase de dizer palavras soltas, as nossas emissões não podem ser muito elaboradas e complexas. Nesses momentos de presença com os nossos filhos, tomaremos consciência e adaptar-nos-emos ao seu nível, utilizando emissões mais adequadas, isto é, mais simples, de duas ou três palavras. Por exemplo, se na hora do banho ele diz "água", podemos dizer "a água está quente" e esperar para ver o que a criança diz a seguir. Se ele diz "água" novamente, podemos dizer "como a água é boa", dando diferentes modelos de linguagem com a palavra que a criança está usando, mas sempre deixando espaço para sua vez depois. Talvez a criança repita algo do que já dissemos, como "quente" e seguimos "a água está quente, hhhmmm", utilizando ematicamente linguagem não verbal, com onomatopéia, sons, com nossa entonação e voz, usando nossas mãos, etc.

 

Para resumir


É importante que em uma base regular, passemos um tempo tranquilo e descontraído com nossas crianças, onde possamos estar presentes e receptivos. Estes tempos podem ser atividades diárias da vida diária ou jogos. Nesses momentos, devemos aceitar a iniciativa da criança, adaptar-nos a ela e deixar espaço e tempo suficientes para que ela tome a sua vez de se comunicar. Também dê modelos de linguagem e feedbacks às suas expressões verbais ou não-verbais, mas com equilíbrio.

 

 

 

 

 

 

 

Texto adaptado do livro "Ajudando Nossas Crianças a Falar Naturalmente". Guia para pais de crianças de 0 a 6 anos. Também para famílias bilingues e multilingues", da autora e terapeuta da fala Estela Bayarri, www.payhip.com/vidadesaborautentic. Criador do site Creciendo con las Palabras (Crescendo com as Palavras) www.facebook.com/creciendoconlaspalabras sobre linguagem infantil, paternidade consciente e outros aspectos do desenvolvimento infantil.


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