Será que as crianças podem aprender dois idiomas de uma só vez?

Será que as crianças podem aprender dois idiomas de uma só vez?
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Até aos 8 anos as crianças têm uma grande facilidade para aprenderem idiomas. Até essa idade assimilam-nos de forma intuitiva e apenas têm que se esforçar. Apesar de alguns pais terem medo que isso dificulte a aprendizagem dos seus filhos, as crianças crescem como se tivessem dois seres monolingues nas suas cabeças e vivem o processo com total naturalidade. O melhor método, quando for possível, é falar em casa com os seus filhos em dois idiomas diferentes.

Aprender desde bebés

Graças aos casamentos formados por pessoas com diferentes línguas maternas pode-se comprovar que os filhos destas uniões incorporam espontaneamente ambos os idiomas sem confundi-los. Muito antes de saberem falar os bebés são sensíveis às entoações próprias de cada língua. Ou seja, diferenciam dois idiomas pelo tipo de acento particular de cada um.

Desde que nascem as crianças estão geneticamente preparadas para aprenderem a falar mais do que um idioma. O seu cérebro é sumamente permeável e está aberto ao mundo para descobrir tudo o que o rodeia. O seu ouvido está muito desenvolvido e prefere escutar palavras em vez de outro som. Já é capaz de discriminar entre tons de diferentes volumes e de distinguir as palavras dos ruídos produzidos por objectos naturais e artificiais. Para além disso, reconhecem as vozes. O seu mundo está mediado pela palavra que mais à frente será a sua principal ferramenta de comunicação e de interacção.

O cérebro dos recém-nascidos está preparado para aprender um idioma. Os bebés nascem com milhões de células no cérebro que controlam a linguagem. Estas células conectam-se com outras ao inicio da vida, formando “caminhos”. Quando ouvem os adultos falar fortalecem-se os caminhos que estão relacionados com a linguagem no cérebro. No entanto, aos dez anos estes caminhos já estão bem desenvolvidos e a partir desse momento custa mais aprender outro idioma.

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Música e yoga para relaxar as crianças

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Uma combinação acertada de música e yoga pode ser a chave perfeita para relaxar pais e filhos. Umas peças de música clássica, com sons e melodias suaves que chamem o descanso e a tranquilidade e unas simples exercícios de respiração e alongamento servirão tanto para a criança como para si, para aliviar as tensões e os nervos do dia.

As crianças até aos três ou quatro anos têm a capacidade de crescer em vários idiomas sem grandes problemas. A partir do quarto ano já não podem conjugar alguns verbos de um novo idioma de uma forma rápida e tão correcta. Entre os oito e os dez anos concluem umas das principais fases do desenvolvimento humano … precisamente o momento em que as crianças podem começar a aprender a sua primeira língua estrangeira. Nessa idade já não aprendem de forma intuitiva, mas têm sim que se esforçar de uma forma similar aos adultos.

Em 1997 a equipa de neurologistas do Hospital Memorial Sloan Kettering, de Nova Iorque, comprovou que o cérebro de uma criança é capaz de memorizar duas línguas de forma simultânea numa mesma região cerebral, utilizando um único grupo de neurónios. Isto à diferença dos adultos que ao adquirirem um segundo idioma o armazenam numa área distinta. Em termos práticos isto significa que quanto mais pequenas sejam as crianças mais a aprendizagem de idiomas é feita de forma simples e natural, já que não fazem o processo de traduzir o pensamento de um idioma para outro idioma, tal como os adultos.

Estudos recentes comprovaram que os bebés que escutam discursos numa língua estrangeira durante os seus primeiros meses de vida têm mais facilidades em aprender outros idiomas na escola. Os psicólogos da Universidade de Bristol indicaram que o cérebro em desenvolvimento passa por um período de “programação” na infância que estabelece para a vida do indivíduo a sua capacidade para reconhecer sons chave que se convertam na sua linguagem nativa. Assim, quando um bebé nasce tem a capacidade de distinguir cada tipo de discurso. Inclusivo se os pais são ingleses, a criança tem a capacidade de distinguir sons vocais gregos e chineses. Um recém-nascido é capaz de distinguir todos os sons, mas perto dos seis meses selecciona apenas aqueles que são relevantes para a sua linguagem.

Existem inconvenientes?

Os casamentos entre pessoas que não falam o mesmo idioma são cada vez mais frequentes graças à globalização. Muitos pais falam para os seus filhos na sua linguagem própria, mas outros acabam por não fazê-lo com medo de que as crianças sejam menos competentes nos seus dois idiomas do que as crianças monolingues na sua única língua materna. Um medo sem razão. O nosso cérebro está preparado para aprender várias línguas, pelo que desperdiçamos as nossas capacidades se não explorarmos esta opção.

Não é raro que alguns pais cheguem a duvidar do êxito da sua missão plurilingue. Fazem-no se vêm que os seus filhos não se lançam a falar na segunda língua, quando a sua evolução se estanca ou se negam falar outro idioma porque não querem chamar à atenção na escola.

Como qualquer aprendizagem, ao longo do processo podem-se produzir uma série de alterações na linguagem, similares em monolingues ou bilingues, já que as crianças monolingues de 18 meses têm um vocabulário de cerca de 50 palavras, igual ao dos plurilingues, mas repartidas entre os seus distintos idiomas. É possível que não possam expressar-se tão bem num idioma se se comparar com outras crianças da sua idade. Mas isto não deve preocupar os pais, já que recuperará a diferença à medida que aprofunda o conhecimento de ambos os idiomas.

Do ponto de vista da Dr. Laura-Ann, directora da Investigação sobre a educação bilingue na Sociedade Americana de Neurociência, quando as crianças são expostas desde muito cedo a duas línguas diferentes, “crescem como se tivessem dois seres monolingues alojados dentro do cérebro”. Petitto explica que contrariamente ao que se podia temer “não se produz nenhum tipo de contaminação linguística nem nenhum atraso na aprendizagem”.

Para além disso o bilinguismo tem muitas vantagens: estas crianças têm uma maior capacidade de atenção, podem distinguir melhor o importante do trivial, concentram-se melhor, o seu cérebro cresce à medida que se produzem novas conexões neuronais … Resumindo, favorece o seu desenvolvimento intelectual, a memória e a concentração, potenciando as suas capacidades a todo o tipo de aprendizagem.

Recomendações

O método mais seguro para conseguir que uma criança seja bilingue é que um dos seus pais fale com ela noutro idioma desde que nasce. O que recomendam os especialistas é que se o pai é francês que utilize sempre esse idioma com os seus filhos e mesmo que estes queiram falar com ele em português ele deve manter a sua postura firme na sua língua nativa. Distinta é a situação se o pai não tem outra língua materna, mas se simplesmente domina outro idioma. Neste caso, provavelmente irá ajudar a criança no conhecimento do idioma, mas não conseguirá um bilinguismo propriamente dito, porque a pronunciação não será exacta nem a conversação fluida e constante.

Esta fórmula, se for reforçada pela escola, por uma ama ou por uma academia, permite de uma forma precoce e quase sem esforço o domínio completo da língua por parte da criança. Claro que exige um esforço por parte dos pais ao início, já que não devem ceder se o pequeno tenta comunicar apenas num idioma.

Os colégios bilingues (que cada vez existem mais) são a melhor opção para aqueles pais que não sabem outra língua. Mas se não tem a possibilidade de mandar o seu filho para um colégio desses, as academias ou os professores nativos também são uma boa eleição.

Para além disso, qualquer actividade que se realize noutro idioma que se quer ensinar, ajudará a reforçar o aprendido. Canções, contos, jogos, filmes … tudo é válido para praticar uma língua.

No entanto, lembre-se que não deve pressionar o sue filho para que fale outro idioma e para que o demonstre que sabe fazê-lo. E se o seu filho apresentar alguma dificuldade na fala como dificuldades de articulação, atraso da linguagem, dislexia … não é recomendável que se inicie noutro idioma.



 



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