Crianças com alergia a certas vacinas, saiba o que fazer!

Crianças com alergia a certas vacinas, saiba o que fazer!
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Algumas crianças sofrem uma reacção alérgica perante o composto de certas vacinas, como o sarampo ou a parotidite. Até há bem pouco tempo, as crianças com este tipo de problema não podiam ser vacinadas por causa dos riscos que a sua saúde corria. No entanto, os últimos descobrimentos médicos apostam na vacinação, já que na maioria dos casos não se produz a anafilaxia.

Algumas crianças sofrem uma reacção alérgica perante o composto de certas vacinas, como o sarampo ou a parotidite. Até há bem pouco tempo, as crianças com este tipo de problema não podiam ser vacinadas por causa dos riscos que a sua saúde corria. No entanto, os últimos descobrimentos médicos apostam na vacinação, já que na maioria dos casos não se produz a anafilaxia.

O que é a anafilaxia?

A anafilaxia é uma reacção alérgica severa que ocorre quando o corpo entra em contacto com algo que lhe provoca alergia (um alergénico). Geralmente, os sintomas da reacção aparecem entre pouco minutos e uma ou duas horas depois do contacto com o alergénico.

Quando se tem alergia a uma substância, o contacto com ela faz com que os vasos sanguíneos drenem liquido para a área ao seu redor. Como resultado, a pressão do sangue pode baixar repentinamente, chegando menos oxigénio ao cérebro e a outros órgãos vitais. Como não podem funcionar adequadamente, o corpo entra em choque libertando, para além de químicos como as histaminas (que provocam inchaço da pele), um vermelhão e comichão intensos.

A anafilaxia pode produzir-se como reacção a muitas substâncias, entre elas as vacinas. Ser alérgico aos componentes de certas vacinas é um problema para as crianças pequenas, que não podem completar o seu calendário de vacinação e ficam expostas a certas doenças contagiosas.

Os sintomas de uma reacção alérgica são:

- Vermelhão e comichão, manchas e urticária

- Desmaios

- Dificuldades em respirar, incluindo sibilância

- Dificuldade em engolir

- Opressão na garganta ou no peito

- Náuseas, vómitos ou diarreia

- Cólicas estomacais

- Inflamação dos lábios, língua, garganta ou outra parte do corpo

- Olhos chorosos e vermelhos

- Sensação de mal-estar

- Alteração de voz

Estes sintomas podem durar desde uns minutos até várias horas, dependendo da rapidez com que são tratados e da gravidade.

Diferença entre reacção e alergia

Na maior parte das vezes, quando se injecta uma vacina produz-se uma reacção contra ela, uma série de efeitos secundários parecidos aos sintomas da alergia. No entanto não se deve confundir uma coisa com a outra, já que estes efeitos são normais, acontece a quase todas as crianças e não são perigosos. Já a anafilaxia pode chegar a ser perigosa se não for tratada a tempo.

Uma reacção alérgica pode provocar uma erupção, dificuldade em respirar ou inchaço da cara. Pode ocorrer quase imediatamente ou uma hora depois da injecção. Como um exemplo, a tripla viral (sarampo, papeira, rubéola) pode causar uma erupção que ocorre 7 a 10 dias depois.

Nos dias que correm as vacinas são muito seguras e sempre que se administrem correctamente não surgem efeitos secundários importantes. De forma simples, em algumas vacinas orais pode aparecer náuseas, vómitos ou diarreia, embora a sua intensidade seja escassa e passe em poucas horas. As vacinas injectadas podem ocasionar efeitos locais (dor no local da administração, vermelhão, etc.) e, em alguns casos, discreta elevação da temperatura (entre 37,5 e 38 graus) depois da administração. Estes efeitos são pouco importantes e não contraindicam a administração de novas doses da mesma vacina.

A que vacinas se pode ser alérgico?

Para o Dr. Manuel Merino Moína, pediatra e membro da Associação Espanhola da Vacinologia “as alergias às vacinas são excepcionais. Pode-se ter alergia a praticamente qualquer substância não própria do organismo, especialmente se tiver algum componente proteínico. Todas as vacinas podem desencadear reacções alérgicas, porém não apenas pelo componente vacinal, mas também por outras substâncias que em alguns casos contêm, como potenciadores, antibióticos, estabilizantes, conservantes, etc. Sendo raros, os casos mais frequentes produzem-se em vacinas desenvolvidas em ovos de galinha, como a da gripe e da febre-amarela, pois a alergia ao ovo é relativamente frequente na população em geral. No entanto, as reacções graves são muito raras. A vacina tripla viral (TV) não é fabricada com ovo, pelo que não apresenta os problemas da vacina da gripe e as reacções que em alguma ocasião surgiram depois da sua administração parecem estar relacionadas com a gelatina que contem como componente”.

- Alergia à levedura: aquelas pessoas alérgicas a esta substância não devem receber a vacina da hepatite B.

- Alergia à gelatina: não devem vacinar-se da tripla viral (sarampo, rubéola, papeira).

- Anafilaxia à neomicina ou polimixina B: problemas com a tripla viral, a vacina da gripe e a da poliomielite.

- Alergia ao ovo: não podem receber a antigripal, nem a da febre-amarela e, muito menos, a tripla viral.

- Anafilaxia à estreptomicina: problemas com a poliomielite activada.

Reacção grave à DTP (Difteria, tétanos, tosse ferina)

Embora neste caso não se trate de ser alérgico a algum dos seus componentes, mas sim de uma reacção, é uma das excepções no que diz respeito aos efeitos secundários. Se sofrer deste problema, é muito provável que não se possam administrar as doses seguintes. A reacção a uma dose prévia manifesta-se da seguinte maneira: hipotomia/hiper-reactividade nas 48 horas seguintes, choro inconsolável de mais de três horas nas primeiras 48 horas depois da administração, convulsões nos três dias seguintes ou febre superior a 40,5 graus nas 48 horas, supõe uma precaução para administrar doses posteriores. Nestes casos, o médico irá avaliar a conveniência ou não de continuar com as doses de DTP. Um quadro de encefalopatia (transtorno agudo e grave do sistema nervoso, com alterações importantes da consciência, falta de resposta a estímulos e convulsões focais ou generalizadas, que não desaparecem em 24 horas) depois de uma dose de DTP é uma contraindicação absoluta para receber as doses seguintes da vacina anti tosse ferina.

O que fazer nestes casos?

Para o Dr. Merino, a solução mais fácil é “no caso de suspeita de alergia a uma vacina ou a um componente incluído nela, ser contraindicada e, se não houver alternativa com um produto diferente, não deve administrar-se. Em qualquer um dos casos se existir suspeita deverão realizar-se os estudos de alergia correspondentes para determinar o alérgeno causante”. Há alguns anos, perante a maioria destas alergias, a única solução era não administrar a vacina. No entanto, o descobrimento dos testes cutâneos para avaliar a que componente exacto se tem alergia, permitiu realizar exames e testar que reacção se tinha a certas substâncias (levedura, ovo). Por exemplo, se uma criança tinha alergia ao ovo não se administrava a antigripal, nem a tripla viral e ada febre-amarela, já que as três são feitas através da utilização de ovos de galinha ou de substâncias relacionadas.

Na teoria, se uma criança é alérgica ao ovo, pode ser alérgica às vacinas á base de ovo. Isto era o que os médicos pensavam há alguns anos e, por conseguinte, muitas crianças alérgicas ao ovo automaticamente não recebiam as vacinas. No entanto, com os testes pode-se comprovar se uma criança alérgica ao ovo é ou não alérgica à vacina. Depois de realizarem durante anos estes testes, contatou-se que muito poucas crianças alérgicas ao ovo eram na realidade alérgicas à vacina TV.

Desta forma, a tendência nos últimos anos é a vacinação sem se realizar os testes de alergia específicos. Os dados actuais sugerem que as reacções anafilácticas por vacinas de parotidite e/ou sarampo não estão associadas à hipersensibilidade de antígenos do ovo, mas sim a outros componentes da vacina (como a gelatina). O risco de reacção alérgica grave depois de injectar a tripla viral é extremamente baixo. No entanto, isto não se aplica a outras vacinas a base de ovo como a vacina da gripe. Neste caso, se uma criança é alérgica ao ovo, não deveria receber a vacina, a não ser que sejam realizados os testes específicos de alergia á vacina da gripe.

Dessa forma, no caso de crianças alérgicas ao ovo e em relação à TV, recomenda-se que se vacine no seu centro com a vacina tripla viral habitual, devendo permanecer 60 minutos depois da vacinação para descartar qualquer reacção alérgica.

Se realizarem a prova cutânea com esta vacina e dá positivo, existem duas opções:

- Administrar uma vacina que apenas contenha o vírus do sarampo e da rubéola.

- Administração em fracções da vacina tripla viral (cultivada no embrião de galinha) em intervalos de 20 minutos.

Fonte: Dr. Manuel Merino Moína, pediatra e membro da Associação Espanhola de Vacinologia (AEV). Sociedade Espanhola de Imunologia Clinica e Alergia Pediátrica.


 

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