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Grávida? Procure a ajuda de uma doula

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Antes de os bebés nascerem em hospitais e dos ginecologistas controlarem todo o processo de uma gravidez era a rede de mulheres que rodeavam a grávida (mães, amigas, vizinhas, etc.) que lhe davam toda a informação e conhecimentos necessários, principalmente na base das experiências vividas. Na sociedade actual, esta transmissão perdeu-se e as mulheres enfrentam a maternidade sozinhas e sem grandes referências. Desta forma, surgiu a figura da doula: mulheres que acompanham durante a gravidez, o parto e o pós-parto.

 

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Antes de os bebés nascerem em hospitais e dos ginecologistas controlarem todo o processo de uma gravidez era a rede de mulheres que rodeavam a grávida (mães, amigas, vizinhas, etc.) que lhe davam toda a informação e conhecimentos necessários, principalmente na base das experiências vividas. Na sociedade actual, esta transmissão perdeu-se e as mulheres enfrentam a maternidade sozinhas e sem grandes referências. Desta forma, surgiu a figura da doula: mulheres que acompanham durante a gravidez, o parto e o pós-parto.

O que é uma doula?

Maria Arroyo, doula em Madrid explica que “As doulas são mulheres, na sua maioria mães, que acompanham outras mulheres durante a gravidez, durante o parto e o pós-parto. O trabalho das doulas é, fundamentalmente, proporcionar informação e dar apoio, tanto físico como emocional, durante estas etapas, para ajudar a conseguir uma boa vivência da maternidade. Trata-se de brindar o apoio que tradicionalmente se obtém mediante uma rede de mulheres e que actualmente está perdido”.

Uma doula ajuda-a a viver uma gravidez consciente, informa-a sobre as distintas opções de parto, ensina-a a confiar no seu corpo, ajudando-a a ser a verdadeira protagonista do parto juntamente com o seu bebé. Para além disso, será um apoio incondicional durante o parto e no puerpério, acompanhando-a na procura como mãe para que seja a melhor.

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Maria Arroyo conta ainda que ”A chave está no facto das mulheres terem a informação necessária e as possibilidades reais para poderem escolher uma opção de parto que lhes permita desfrutar e serem elas as protagonistas, juntamente com os seus bebés e maridos”.

  Como surgiu a iniciativa das doulas?

A figura da doula apareceu nos EUA e foi a raiz do estudo “Mothering the mother” realizado por Klaus e Kennell em 1993. Neste estudo comprovou-se que as mulheres que contavam com o apoio de outra mulher, com noções básicas sobre o nascimento, apresentavam um índice menor de cesarianas, uma redução na duração do trabalho de parto, uma menor necessidade de solicitar anestesia, etc. Para além disso, comprovou-se que estas mães apresentavam um menor índice de ansiedade no pós-parto, que se mostravam muito mais seguras nas suas relações com o bebé, que tiveram um maior êxito durante a amamentação e, em geral, que estão mais satisfeitas no que diz respeito à experiência do parto e no pós-parto.

Tradicionalmente, os conhecimentos sobre a gravidez, o parto e o puerpério transmitem-se de mães para filhas, ou entre mulheres da mesma família ou do mesmo povo. Estes conhecimentos não se referem apenas à fisiologia, mas também às necessidades emocionais: os diferentes estados de ânimo, medos, incertezas, etc.

Na sociedade actual, as redes de apoio entre mulheres desapareceu em grande medida. Por um lado, a família nuclear faz com que seja apenas o casal a enfrentar a etapa da maternidade. Por outro lado, o aumento da movimentação laboral faz com que o casal esteja afastado das suas famílias. Em geral, hoje em dia as mulheres enfrentam a maternidade sozinhas e sem referências certas, dentro de uma sociedade em que a maternidade está bastante desvalorizada e superficializada.

Este conjunto de coisas faz com que as experiências que podem ser compartilhadas entre mães, no parque ou à saída das escolas, passem por altas sensações profundas e reais como os sentimentos contraditórios perante a gravidez (a imensa alegria que supõe a noticia da gravidez está, hoje, associada a sentimentos de medo e de insegurança), por frustrações de partos que não foram o momento emotivo e milagroso que tanto esperavam (má informação antes e durante o parto), por amamentações fracassadas e, em geral, por descontentamento por parecer que nenhuma outra mulher sentiu algo parecido anteriormente.

As primeiras doulas em Portugal começaram a trabalhar nos finais dos anos 90. Nos últimos anos, a percentagem de mulheres que solicitam estes serviços aumentou consideravelmente.

Como ser doula?

De acordo com Maria Arroyo, actualmente não existe uma formação regrada. No entanto, desde há vários anos surgiram cursos reconhecidos por outras associações estrangeiras de doulas e nos quais participam obstetras e terapeutas. Esta formação engloba conhecimentos sobre a fisiologia da gravidez, do parto e do puerpério, de puericultura, da amamentação, da educação pré-natal, etc.

Apesar de não existir nenhum requisito especifico para a formação como doula, é um trabalho que requer uma grande sensibilidade, capacidade de empatia e, sobretudo, de grande descrição para acompanhar todo o processo respeitando os desejos e as necessidades do casal e reforçando a confiança nos mesmos.

Como ajudam as grávidas?

Estudos científicos realizados recentemente demonstraram que o apoio emocional que uma doula pode dar traduz-se em resultados tão importantes no desenvolvimento do parto, como os seguintes:

Durante o trabalho de parto e o parto:

Durante o pós-parto as mulheres que contaram com o apoio de uma doula seis semanas depois do parto mostraram:

Como são os cursos de ajuda?

Normalmente, as doulas trabalham através de entrevistas pessoais com os casais que solicitam os seus serviços. Nestas entrevistas as doulas dão toda a informação necessária aos casais para ajudá-los a escolher a opção de parto que mais se adequa aos seus desejos, à forma de ser e às suas necessidades.

Podem ser realizadas várias entrevistas antes do nascimento do bebé para poderem estabelecer uma relação de confiança que permita às doulas reconhecerem as necessidades das mães durante o parto.

O acompanhamento que se faz durante o pós-parto depende das necessidades das mães. Desta forma, podem existir doulas especializadas em partos e outras em pós-partos.

Por outro lado, existem doulas com uma formação complementar que realizam cursos específicos para grávidas e para mães com bebés pequenos, por exemplo, aulas de yoga, de reflexologia, etc.  

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