Será que a origem étnica de uma mulher afecta a gravidez?

Será que a origem étnica de uma mulher afecta a gravidez?
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Em comparação com outros países, em Portugal existem poucos casais inter-raciais (apesar da população imigrante ter aumentado consideravelmente nos últimos anos). Já nos Estados Unidos – onde as estas uniões são muito habituais – são comuns os estudos sobre se o facto de o pai e da mãe serem de diferentes origens étnicas pode influenciar na gravidez ou se umas raças são mais propensas que outras a contraírem determinadas doenças gestacionais.

Existem diferenças?

“Não se pode fazer uma distinção absoluta entre as gravidezes das mulheres imigrantes e das mulheres portuguesas. Não existe sequer uma patologia que seja específica dessas mulheres: os sintomas, os desconfortos, o desenvolvimento dos fetos, o tipo de parto … nada sofre influência pela precedência da mulher. No entanto, é certo que existem algumas diferenças” explica a ginecologista Maria José Rodríguez.

- São mais frequentes as gravidezes não desejadas e, consequentemente, também mais frequentes as interrupções voluntárias das mesmas. De facto, grande parte dos abortos que se realizam é a mulheres imigrantes. A explicação para isso é simples: muitas vezes desconhecem a forma de aceder aos métodos anticonceptivos. Muitas delas trazem um método prescrito no seu país mas quando terminam os comprimidos não sabem onde ir para continuarem a realizar uma planificação. Possivelmente desconhecem como ir às consultas de Planeamento Familiar ou ao ginecologista e o primeiro contacto com eles será quando já se produziu uma gravidez.

- A taxa de fecundidade é por isso mesmo mais elevada entre as emigrantes. Também ficam grávidas muito mais jovens e o tempo que esperam entre as gravidezes é menor.

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- Não nos podemos esquecer das dificuldades de idioma, especialmente entre as imigrantes muçulmanas e chinesas. Há que assinalar a solidariedade dos seus compatriotas que muitas vezes as acompanham para servirem de intérpretes, mas quando isto não é assim é muito difícil explicar os exames, os conselhos ou os tratamentos.

- Outro problema que encontramos é que em alguns países, sobretudo no Sul da América, as pacientes são submetidas a cesarianas electivas em cada uma das gravidezes e, dessa forma, encontramo-nos com mulheres com 2, 3 ou até mesmo 4 cesarianas e que ficaram grávidas de novo. Assim, as mulheres imigrantes não desejam um método definitivo e, por isso, estão expostas ao risco de uma nova gestação e da rotura do útero.

- Entre a população muçulmana é importante o mês do Ramadão, porque embora a mulher esteja isenta do seu cumprimento, muitas o levam a cabo, o que lhes pode fazer recusar algum medicamento, assim como certos exames diagnósticos, exames ginecológicos ou a tomar alimentos com a periodicidade que o bebé precisa o que pode ter tristes consequências.

Desta forma, a origem étnica de uma mulher influencia a gravidez?

“Existem doenças que são mais prevalentes numa raças que noutras. Entre as que complicam a gestação, é conhecido que a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia são mais frequentes na raça negra, mas também aparecem nas mulheres caucasianas” explica Mª José Rodríguez.

Outros estudos, como alguns levados a cabo pelos Centros para o Controlo e Prevenção de doenças dos Estados Unidos, sugerem que embora as mulheres afro-americanas e as brancas tenham as mesmas complicações na gravidez, as primeiras têm mais risco de morrer de problemas surgidos durante a gestação ou do parto. Os dados estudados de 1998 a 1999, extraídos de estatísticas nacionais com dados dos registos de altas hospitalares e outras fontes, demonstraram a igualdade na incidência de problemas gestacionais em mulheres de ambas as etnias, mas as mulheres negras eram duas a três vezes mais propensas a morrer por causa dos ditos problemas.

O estudo não concluiu com dados ou motivos o porquê de existirem estas diferenças entre as taxas de mortalidade. Segundo a equipa que levou a cabo a investigação “devia-se decifrar uma interacção complexa de factores biológicos e dos serviços de saúde” para conhecer as causas.

Isto mesmo é o que afirma a Dra. Rodriguez “Mais que a raça, pode influenciar a precedência visto que as gestantes podem ser portadoras de doenças parasitárias endémicas nos seus países e praticamente desconhecidas no nosso. Por exemplo, entre a população boliviana ou de algumas regiões da Argentina é frequente a doença de Chagas.

Para além disso, em muitos países não está sistematizado o uso de vacinas, pelo que as mulheres podem estar expostas a doenças que em Portugal quase que estão erradicadas graças à vacinação das crianças, como é o caso da rubéola e do sarampo.

Desta forma, podemos dizer que quando as imigrantes chegam a Portugal não constituem grupos de risco específicos. No entanto, as situações de pobreza com as quais se encontram durante o processo migratório podem contribuir para a presença de determinadas doenças”.

Dentro dos factores que podem influenciar num deficitário controlo da gravidez estão:

- A maioria dos países de origem não tem sistematizada a atenção médica pré-natal, pelo que muitos imigrantes continuam a agir como no seu país de origem, recorrendo apenas aos serviços de saúde em casos graves.

- Apesar da cobertura sanitária que todas as mulheres grávidas imigrantes têm em Portugal, existem alguns requisitos administrativos que se exigem. Por outro lado, a situação de irregularidade pode fazer com que muitas mulheres se retraiam na hora de recorrerem ao sistema de saúde, por medo que a identificação prévia possa traduzir-se em acções legais conta elas.

- Uma alta proporção de mulheres imigrantes que não vão poder desfrutar de baixa maternal e que vão continuar a trabalhar até ao último dia, têm poucos apoios depois do parto e vivem em condições de vivência com outras famílias. Isso pode influenciar de forma negativa não só no cuidado da gravidez, mas também do recém-nascido.

“Uma mulher que controle a sua gestação vai ter os mesmos problemas independentemente do seu lugar de precedência. De facto, em mulheres imigrantes que realizaram os controlos aconselhados para o seguimento da gravidez não observámos um índice maior de prematuridade, de más-formações ou de complicações na gravidez” conclui a Dra. José Rodriguez.


 



Fecha de actualización: 27-04-2009

Redacción: Irene García

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