Tomar medicamentos durante a gravidez

Tomar medicamentos durante a gravidez
Partillhar

Durante a gravidez são poucos os medicamentos que se podem tomar sem prejudicar o bebé ou a gestante. Apesar disso, nas últimas décadas apenas se investigou fármacos específicos para as grávidas, que em muitos casos poderiam ajudar a salvar a vida da mãe e da criança.

Para além das doenças que pode sofrer durante a gravidez (gripe, dores de cabeça, dores musculares, etc.) existem muitas outras associadas à gravides e para as quais não se tem cura eficaz ou especifica (pré-eclâmpsia, infecções urinárias, etc.). Em muitos casos utilizam-se os mesmos antibióticos que se usam para uma pessoa não grávida (correndo riscos), já noutros casos a única solução é adiantar o parto ou controlar a doença até que este se produza.

Todos os anos, mais de meio milhão de mulheres e sete milhões de crianças morrem por causas relacionadas com a gravidez e o parto. Apesar da melhoria da saúde materna ser um dos objectivos aprovados pela ONU, as empresas farmacêuticas parecem ter-se esquecido, nas suas investigações, das mulheres grávidas. Porquê?

As restrições da lei

Os ensaios clínicos com medicamentos de uso humano estão regulados por uma lei de Garantias e Uso Racional dos Medicamentos e Produtos Sanitários. O princípio desta lei é que "os direitos, a segurança e o bem-estar dos sujeitos do ensaio prevaleçam acima dos interesses da ciência e da sociedade". Este princípio é ainda mais rígido quando se trata de grávidas. A lei, pela qual se regulam os ensaios clínicos com medicamentos, contempla que "nas mulheres grávidas ou em período de amamentação, apenas se poderão realizar ensaios clínicos sem beneficio potencial directo para elas quando o Comité Ético de Investigação Clínica conclua que não supõe nenhum risco previsível para a sua saúde nem para a do feto ou criança e que se obterão conhecimentos úteis e relevantes sobre a gravidez ou a amamentação".

No te puedes perder ...

Fome e desejos saudáveis durante a gravidez

Fome e desejos saudáveis durante a gravidez

Sim, é possível!

A principal regra de alimentação durante a gravidez não é mais do que seguir uma dieta equilibrada. Isto significa que deve incluir no seu menu diário uma grande quantidade de frutas e verduras, hidratos de carbono, fibra, proteínas e muitos líquidos. No entanto, nem tudo é assim tão simples, especialmente com as hormonas prontas a fazer das suas ao menor descuido e com os comuns desejos de uma gravida que fazem com que nunca esteja na completa e perfeita pirâmide nutricional.

"Quando um produto está a ser ensaiado em humanos de forma experimental - explica Maria del Mar Municio, Doutorada em biologia - a própria Agência Espanhola do Medicamento (e o resto das Agências Europeias) limitam os exames em grávidas e pessoas que potencialmente poderão estar grávidas, o que significa que para poder experimentar o medicamento nessas mulheres obrigam a que se utilizem métodos anticonceptivos adequados. Para os homens é o mesmo: os homens com casal potencialmente fértil, também devem usar métodos anticonceptivos adequados".

Desta maneira dificulta-se a investigação de fármacos em populações especiais (grávidas e crianças). "É totalmente compreensível - afirma a Dra. Municio - já que nesses primeiros momentos não se conhece o potencial teratogénico (ou seja a capacidade de produzir má-formações no embrião ou no feto) desses medicamentos. Tão pouco deixam ensaiar os novos medicamentos em crianças. A população de grávidas e a pediátrica são tratadas como populações especiais, de tal como que até que não se conhece a segurança do medicamento não deixam experimentá-lo. E, para além disso, obrigam a fazer estudos de toxicologia em animais jovens para depois se poder experimentar em crianças, e toxicologia reproductiva, para as grávidas.

Neste último caso, dão o medicamento a animais, cruzam-nos e estudam várias gerações posteriores (até 3) para comprovar que não é teratogénico e que os órgãos, no que diz respeito à função e aos tecidos, são normais. Só depois disto é que se poderia passar o estudo para as grávidas, mas ainda assim existem riscos: o facto de nos animais não produzir alterações não garante a 100% que não se produzam nos humanos. É o conjunto de todos os resultados dos testes e das análises de bastante população que no fim garante a segurança para se abordar este tipo de populações". Perante estas dificuldades (e a inversão necessária para superá-las) as indústrias preferem dedicar-se à investigação de medicamentos contra doenças mais simples de experimentar.

Terapia para gestantes

Um trabalho publicado na revista "Plos Medicine" afirmava recentemente que nas últimas duas décadas apenas se registou um fármaco indicado especificamente para a gravidez e apenas 17 estão em desenvolvimento, um número ridículo em comparação com o de outros sectores da indústria. O principal problema é que este tipo de investigações não são rentáveis para as empresas, pelo que ignoram. Num mercado que cresce cerca de 6% a cada ano e que gera entre 20 a 25 medicamentos novos anualmente, a gravidez converteu-se numa área de livre arbítrio farmacológico com poucas garantias e menos opções terapêuticas.

O risco que isso implica é grande: 75% das grávidas toma pelo menos um fármaco cuja segurança não está provada para este período, algo que não é de estranhar já que apenas existem 10 compostos aprovados com indicações para a gestação. Os autores do trabalho publicado nesta revista, Nicholas Fisk, professor de medicina fetal da Faculdade de medicina do Colégio Imperial de Londres, e Rifat Atun, professor de medicina internacional no mesmo centro britânico, realizaram uma procura de 25 termos relacionados com a gestação em bases de dados de fármacos e ensaios clínicos com o objectivo de identificar qualquer produto destinado ao tratamento ou prevenção de complicações como a pré-eclâmpsia ou o atraso do crescimento fetal.

O resultado foi desanimador: 67 medicamentos cumpriam estes requisitos e 40 careciam de uso, foram suspensos ou estavam inactivos desde 2007. Dos 17 que se encontravam em fase de desenvolvimento, apenas nove eram fórmulas novas. Resultados que reflectem um claro abandono. Enquanto a indústria está a desenvolver 17 medicamentos para a gravidez, para indicações cardiovasculares estão em processo 660. O principal problema é o desconhecimento de como e porquê aparecem determinadas doenças.

Esta falta de informação traduz-se em terapias que solucionam os sinais ou sintomas de uma patologia, como a hipertensão típica da pré-eclâmpsia, porém não a raiz da doença. Todos os anos ocorrem cerca de nove milhões de nascimentos nos Estados Unidos e na União Europeia. Cerca de 2% são de parto prematuro e entre 3 a 5% das mulheres sofrem de pré-eclâmpsia, Apesar de tudo isto a industria continua sem procurar soluções.

O começo das restrições

Na segunda metade dos anos 50 surgiu no mercado um medicamento revolucionário: a talidomida, que aliviava as desconfortáveis náuseas matinais provocadas pela gravidez. No entanto, este medicamento acabou pro não ser testado o suficiente e nada se sabia acerca dos seus efeitos teratógenos. À medida que foram aparecendo casos, milhares em todo o mundo, aumentou a psicose.

Como resultado, a sociedade e as autoridades ganharam consciência da necessidade de testar os medicamentos antes de entrarem no mercado e lançou leis específicas em matéria farmacológica. Paradoxalmente, no caso concreto das grávidas, estas medidas preventivas, juntamento com o medo que acontecesse o mesmo que com a talidomida, contribuíram para que, por um lado, a investigação com este grupo se tornasse quase inexistente e, por outro, que aumentasse o consumo de produtos não específicos (cuja segurança e eficácia não está comprovada).

Para Fisk e Atun "a solução seria garantir que um composto X não tenha riscos através do controlo pós-venda, ou seja, a partir do seu lançamento no mercado". No entanto isto gera custos adicionais e cada vez mais proibidos, para além de ser preciso o consentimento das autoridades reguladoras dos medicamentos como a EMEA na Europa ou a FDA nos EUA. Para conseguir esta alteração seria necessário abrir um debate ético e modificar as leis de regulamentação dos ensaios clínicos humanos.

Alterar isto no futuro?

O aparecimento de uma doença durante a gravidez coloca tanto o médico como o paciente perante um problema bem conhecido e difícil: um reportório muito limitado de opções terapêuticas e um certo grau de risco. Nos EUA esta dificuldade gerou um debate sobre a possibilidade de inclui-las em ensaios clínicos. Em Novembro de 2001, como consequência desse mesmo debate, realizou-se uma reforma nos EUA que autorizava a inclusão de mulheres grávidas em ensaios clínicos.

Alguma vozes na Alemanha reforçam a inutilidade do debate, argumentando, primeiro lugar, que os ensaios implicam uma dificuldade demasiado complexa para que a mulher possa assumir a responsabilidade de decidir sobre os riscos e, em segundo lugar, que os altos riscos para o feto não justificam incluir mulheres grávidas nos ensaios. No entanto, a nível internacional e europeu, as directivas também estão a ser modificadas para autorizar a inclusão de mulheres grávidas em ensaios sem tantas limitações. Será que esta decisão é justificável? Irá conseguir-se melhor a investigação neste campo e reduzir a taxa de mortalidade durante a gravidez e o parto?

 

 

FONTE: Mª del Mar Municio, Doutorada em Biologia. Elmundo.es. Agência Espanhola do Medicamento, www.agemed.es.

 



Fecha de actualización: 18-04-2008

Redacción: Irene García

TodoPapás es una web de divulgación e información. Como tal, todos los artículos son redactados y revisados concienzudamente pero es posible que puedan contener algún error o que no recojan todos los enfoques sobre una materia. Por ello, la web no sustituye una opinión o prescripción médica. Ante cualquier duda sobre tu salud o la de tu familia es recomendable acudir a una consulta médica para que pueda evaluar la situación en particular y, eventualmente, prescribir el tratamiento que sea preciso. Señalar a todos los efectos legales que la información recogida en la web podría ser incompleta, errónea o incorrecta, y en ningún caso supone ninguna relación contractual ni de ninguna índole.

×


×
×
×
*/?>