Alberto Ruano, director da Toshiba

Alberto Ruano, director da Toshiba
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“Formando as crianças na utilização dos computadores e da Internet, no dia de amanhã poderão tomar as decisões sobre o uso de novas tecnologias muito melhor que nós”

As últimas tecnologias e Internet chegam aos colégios rurais de Aragón (Espanha) graças ao projecto “A escola do Futuro”. Uma iniciativa do governo desta comunidade para evitar a migração das famílias do campo para a cidade. Alberto Ruano, director geral da Toshiba é um dos impulsionadores deste inovador projecto para fomentar o uso dos computadores e da Internet nas novas gerações.

TPP: Qual é a situação de Espanha em relação ao resto da Europa no que diz respeito ao uso da Internet?

AR: A penetração da Internet e do uso do computador por habitante em Espanha é a 2ª mais baixa da Europa dos 15. Por este motivo, hoje em dia é uma prioridade para o nosso país interferir no desenvolvimento do que é a sociedade da informação. E, não só para Espanha, todos os governos europeus estão a fomentar com diferentes campanhas o uso da Internet e dos computadores. Mas, como em Espanha estamos muito atrasados enquanto ao resto dos países europeus, é ainda mais necessário realizar projectos como este de “A escola do Futuro” para poder convergir num futuro com a Europa no que diz respeito às novas tecnologias.

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As ecocardiografias fetais (aquelas que servem para comprovar o correcto funcionamento do coração do feto) tiveram um grande avanço na localização e cura deste tipo de doenças presentes em 9 de cada 1000 recém-nascidos. Visto que é uma doença muito grave, o seu conhecimento prematuro faz com que estas crianças nasçam em centros especializados onde lhes poderão oferecer os melhores cuidados possíveis.

TPP: De onde surge a iniciativa “A escola do Futuro”?

AR: Em Aragón a migração das famílias de zonas rurais para a cidade é preocupante. Apenas a capital Zaragozana representa cerca de 50% da população total desta comunidade. Por este motivo, surge “A escola do Futuro”; o Governo de Aragón e o Conselho da Educação com o apoio da Toshiba querem evitar este fenómeno migratório para a cidade através da dotação tecnológica dos povos de Huesca e Teruel, ou seja, da melhor tecnologia nas escolas com 10, 20, 30 crianças, para que estas tenham melhor qualidade que no ensino da cidade.

TPP: No que consiste este projecto?

AR: O projecto baseia-se em dotar de infra-estruturas toda a população – por agora a iniciativa está a ser levada a cabo em duas populações distintas -, as crianças recebem uma secretária, um computador portátil que serve como caderno de escrita. Conectam-se à internet nas aulas, podem usar projectores, etc. Na hora de fazer os trabalhos de casa, podem enviar um email ao professor com as suas dúvidas e os seus comentários e, por outro lado, são utilizadores da internet desde os 4 -5 anos.

Apercebemo-nos que um ano depois do primeiro projecto, em Setembro de 2004, as 15 crianças que ao todo frequentavam a escola já manejavam a Internet como ferramenta de trabalho muito melhor que qualquer adulto, isto crianças com 6 anos. Com tudo isto quero dizer que para num futuro se tomar decisões sobre novas tecnologias, primeiro temos que ser formados nelas, que é um dos problemas em Espanha nas gerações anteriores. No entanto, as crianças que já estão a ter formação, sabem usar as novas tecnologias tanto como ferramenta de estudo como de comunicação e, definitivamente, como forma de vida. Com o acesso à informação em qualquer lado, no futuro poderão tomar as decisões sobre o uso de novas tecnologias muito melhor que nós. Com este passo que se tomou em Aragón, a Junta da Andaluzia decidiu lançar outro projecto com a aquisição de 6400 computadores portáteis Toshiba para as escolas.

TPP: Na sua opinião qual é a melhor altura para se começar a educar as crianças no uso das novas tecnologias?

AR: O quanto antes melhor. Não há que iniciar as crianças na informática com as consolas e os jogos de vídeo, mas sim com a utilização da comunicação, da Internet. Nós percebemos que a sociedade da informação é a penetração da utilização da Internet por habitante, realizar consultas, compras, procurar informação … e embora estejamos num nível muito baixo. Por isso, há que começar desde os mais pequenos, infantários, escolas de educação infantil … Estudar com um CD educativo não tem nada a ver como a nossa geração estudava: livros e memória pura. Agora, graças à informática, as crianças têm muitas mais possibilidades para aprenderem de maneira interactiva, dinâmica, lúdica, com a memória visual e auditiva. Por exemplo, com um CD uma criança pode ver o corpo humano, o sangue a entrar nas veias e a sair pelas artérias, vê o aparelho digestivo … isso já não se esquece tão facilmente. Não tem nada a ver com o facto de se meter um livro inteiro na memória. Se começarmos cedo, teremos muito terreno recuperado em relação ao resto da Europa. Estamos agora mesmo a começar …

TPP: Foi a primeira vez que a Toshiba participou neste tipo de projectos educativos?

AR: Na Toshiba o que temos feito foi começar com campanhas para a comunidade universitária, praticamente em toda a Espanha, Canárias, Andaluzia, Estremadura … Aos universitários damos a possibilidade de adquirirem um computador portátil Toshiba por um preço abaixo do mercado, com um financiamento do Banco Santander Central Hispano com um interesse de Euribor + 0. Ou seja, pode-se comprar um computador Toshiba por 30€ por mês durante 3 anos.

TPP: Veremos novas iniciativas para fomentar o uso da Internet durante este curso?

AR: Sim, agora o governo vai lançar uma campanha, no mês de Setembro ou Outubro que se chama “Família conectada” através do Ministério da Indústria onde vai dar financiamento para a compra de um PC conectado à internet a todas as famílias que tenham filhos em idade escolar até os universitários, sem nenhuma condição de nível máximo de renda nem nada. Agora mesmo, se há famílias que realmente têm problemas para comprar um computador, como não o percebem como um elemento de primeira necessidade, não é a bolsa da compra … com esta campanha vão potenciar a ideia de que se o é, já que é um apoio educativo fundamental para ajudar os nossos filhos.

TPP: Que conselhos daria aos pais cujos filhos estão a começar a utilizar o computador e a Internet, no que diz respeito aos possíveis perigos da rede?

AR: Não só como profissional da área, mas também como pai, a minha recomendação é utilizar o sentido comum e educar as crianças. Para mim o problema é mais educativo e de formação que de qualquer outra coisa. Cada pai em casa, com sentido comum, tem que fazer um histórico das páginas da internet e acompanharem os seus filhos enquanto estes navegam na Internet. Eu passo imenso tempo com a minha filha de 3 anos em frente ao computador de forma educativa, por exemplo aprendendo inglês e é incrível como ela já utiliza as novas tecnologias.


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