A depressão durante a gravidez

A depressão durante a gravidez
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A tristeza durante a gestação é mais comum do que se poderia supor. Segundo diversos estudos, uma em cada cinco grávidas pode sofrer de depressão ou de vários sintomas. Tratá-la adequadamente e desde o primeiro momento é fundamental para evitar os seus efeitos negativos sobre a saúde do bebé e da mãe.

Estou deprimida?

Muitas vezes é difícil diagnosticar uma depressão durante a gravidez, já que alguns dos seus sintomas são normais em qualquer gestação normal, como as alterações no apetite, a dificuldade para dormir, alterações de humor, cansaço, etc. Para além disso, outras condições médicas comuns nestes meses, como a anemia ou o hipotiroidismo, também fazem com que a mulher perca energia.

 

Alguns dos sinais mais comuns da depressão são:

- Problemas de concentração.

- Ansiedade extrema.

- Ansiedade extrema.

- Irritabilidade.

- Insónia, problemas para dormir ou o contrário, dormir demasiado.

- Fadiga.

- Alterações nos hábitos alimentares.

- Perda de interesse ou falta de prazer ao realizar actividades das quais podia desfrutar.

- Alterações de humor exageradas.

- Tristeza.

- Pensamentos negativos.

Também convém distinguir uma depressão leve, que provoca sintomas a longo prazo mas que deixa as pessoas levarem a cabo as suas actividades diárias mesmo que não se sintam bem, de uma depressão grave que interfere com a habilidade da pessoas para trabalhar, estudar, dormir, comer e desfrutar.

Sexo durante a gravidez: verdades e mentiras!

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A partir do momento em que está a passar por uma gravidez pela primeira vez, são várias as sensações contraditórias no que diz respeito às relações sexuais. Devo parar de ter relações sexuais com o meu companheiro a partir deste momento? Se por um lado existe um sentimento de protecção perante o bebé, por outro o seu apetite sexual pode estar mais exacerbado que antes ao poder desfrutar da liberdade de não ter de utilizar nenhum método anticonceptivo.

Principais causas

Apesar de a gravidez ser uma etapa maravilhosa para a maioria das mulheres, para outras pode significar um período de angústia e de depressão difícil. De acordo com as últimas investigações, cerca de 10% das mulheres grávidas sofrem de depressão, especialmente entre a 6ª e 1 10ª semana de gravidez e durante o terceiro trimestre, quando o corpo se prepara para o parto e para o nascimento do bebé.

Para além disso, estima-se que cerca de 50% das mulheres que sofrem de depressão durante a gravidez desenvolvem uma depressão pós-parto, mas este número reduz-se a menos de 2% se se efectua um tratamento psicoterapêutico adequado.

Os principais factores para que apareça este transtorno são: antecedentes familiares de depressão, gravidez não desejada, problemas com o parceiro ou problemas financeiros, problemas indesejados (morte de um familiar, por exemplo), problemas de saúde durante a gestação, angústia pela perda de uma gravidez anterior, alterações hormonais, stress produzido por um tratamento de fertilidade, etc.

Gravidez e anti-depressivos?

A depressão pode ser tratada de várias maneiras, mas se falamos de uma paciente grávida terá que se ter muito cuidado com o tratamento escolhido para evitar que se prejudique o feto. A melhor coisa a fazer, se não se trata de uma depressão grave, é a terapia individual, em casal ou em grupo.

No entanto, se isto não funcionar há que estudar atentamente se é realmente necessária a medicação e qual é a melhor, já que os medicamentos que são seguros para a mulher às vezes podem ser perigosos para o feto. Alguns medicamentos utilizaram-se durante muitos anos sem sinais óbvios de risco para o bebé. No entanto, outros estão relacionados com problemas cardíacos, baixo peso do feto e alta pressão de sangue nas artérias que levam o sangue aos pulmões (hipertensão pulmonar).

Consequências negativas

É sumamente importante receber ajuda e seguir um tratamento adequado para curar a depressão durante a gravidez. Se não, poderia piorar e, inclusivo, dar lugar a uma depressão pós-parto.

Para além disso, a depressão traz riscos graves para a mulher grávida e para o seu bebé, em especial se não é tratada: cuidado pré-natal inadequado, pré-eclâmpsia, insuficiente aumento de peso, hábitos alimentares inadequados, etc.

Também os bebés nascidos de mães com depressão podem ver a sua saúde e desenvolvimento afectados. Diversos estudos mostram que estes bebés podem sentir-se mais irritadiços, podem ser menos afectivos, ser menos activos e atentos que os outros ou nascerem prematuramente e terem baixo peso.

E ao crescer, segundo um estudo das Universidades de Cardiff e Bristol e do King’s de Londres no Reino Unido, a depressão na gravidez associa-se a condutas violentas nos filhos adolescentes. Este trabalho descobriu que as crianças de áreas urbanas cujas mães sofreram de depressão durante a gravidez são mais propensas que outras a mostrarem comportamentos anti-sociais, incluindo comportamentos violentos.

Os resultados do estudo, que foram publicados na revista Child Development, mostram também que as mulheres que são agressivas e problemáticas na sua adolescência são mais propensas a sofrerem de uma depressão durante a gravidez, pelo que os antecedentes das mães predizem a conduta anti-social dos seus filhos.

Os autores, depois de entrevistarem várias mães, descobriram que as que deprimem na gravidez são quatro vezes mais propensas a terem filhos que se tornam violentos aos 16 anos. Isto era assim tanto em rapazes como em raparigas.

O vínculo entre a depressão na gravidez e a violência das crianças não podia explicar-se por outros factores nos ambientes familiares como classe social, etnia ou estrutura familiar; a idade, a educação, o estado civil ou o índice intelectual da mãe; ou a depressão noutro momento da vida das crianças. Apesar dos resultados, ainda não está claro como a depressão na gravidez poderia iniciar os bebés no seu caminho até uma maior conduta anti-social nem significa que esta situação se vá dar sempre.

Pode-se evitar?

Uma das chaves para prevenir este tipo de transtornos é falar com o seu parceiro e com os médicos sobre as suas preocupações, dúvidas e medos relacionados com a gravidez a partir do momento em que estes surjam.

Também é importante obter todo o apoio emocional necessário dos amigos e familiares. Deve sair com eles e realizar diversas actividades: passear, viagens, ir ao cinema … qualquer actividade que a permite manter-se entretida e activa, para não passar as horas livres em casa sozinha dando voltas à cabeça.

E, embora pareça impossível, deve estar o mais relaxada e tranquilo possível. As preocupações fazem com que apareça ansiedade e com ela vêm as dores imaginárias, as alterações de humor, a tristeza … Por isso, também convém cuidar ao máximo da sua saúde durante estes nove meses com uma dieta saudável, exercício adequado, descanso e a prática de actividades que libertem o stress como, por exemplo, a yoga.  

Por pressuposto, nada d alterações bruscas como mudar de casa ou de trabalho (a não ser que não possa evitar).

Escrever um diário sobre a gravidez também pode ser muito benéfico, já que permite expressar os sentimentos e emoções.


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