Gravidez na adolescência!

Gravidez na adolescência!
Partillhar

Já não são crianças, mas muitas ainda brincavam com bonecas quando as deixaram para trás para enfrentarem uma nova fase das suas vidas: a gravidez e uma maternidade precoce, uma realidade cada vez maior em todo o mundo.

Por descuido, por falta de informação ou até por problemas de acesso a métodos contraceptivos, são vários os factores que levam ao tão significativo aumento do número de mães adolescentes.

 São jovens que entraram recentemente na puberdade e que, na maior parte dos casos, não sabem ou não percebem as alterações que o corpo sofre. Algumas iniciam as relações sexuais muito cedo e pensam que não correm o risco de engravidar, outras, mesmo sabendo o riscos que correm, têm relações sem usar qualquer tipo de contraceptivo, e existem ainda outras que justificam a situação como um descuido … o certo é que acabam por ser mães muito cedo e, em alguns casos, surgem problemas que se podiam evitar.

Riscos e complicações

Uma gravidez na adolescência associa-se a maiores taxas de morbilidade e mortalidade, tanto para a mãe como para a criança.

As adolescentes grávidas têm um risco muito maior de morrer ou sofrer complicações médicas graves, como hipertensão induzida pela gravidez, anemias graves, partos prematuros ou placentas prévias.

Os filhos de mães adolescentes têm uma probabilidade de 2 a 6 vezes mais de terem um baixo peso ao nascerem. A principal causa disto é que a grande parte dos bebés nascem prematuros.

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Para além disso, pelo facto de ainda serem adolescentes, estas raparigas têm mais probabilidades de levarem a cabo comportamentos pouco saudáveis, como fumar, beber, ir a festas, o que faz com que o bebé possa apresentar um crescimento inadequado, infecções ou dependência de substâncias químicas.

Embora não se possa generalizar, já que nem sempre é assim e também existem raparigas que, apesar da adolescência, são responsáveis durante a gravidez.

Falta de apoio

Para além destes problemas existem outros não menos importantes: a falta de apoio e incompreensão por parte da família ou pessoas próximas. São jovens que, na maior parte dos casos, por estarem grávidas se vêem obrigadas a abandonar a escola e a contarem com elas próprias. Os pais muitas vezes se recusam a ajudar pois não percebem a situação pela qual as filhas estão a passar. Por outro lado, os próprios pais das crianças, normalmente também eles muito novos, não se sentem preparados para assumir tamanha responsabilidade deixando estas jovens com todo este “peso em cima”.

Apesar de ser um problema que também afecta famílias mais abastadas, alguns estudos revelam que está maioritariamente presente em famílias com certas carências. Dessa forma, resta a estas raparigas procurarem ajuda em instituições que prestam apoio a estes casos.

A Ajuda de Mãe e a Ajuda de Berço são apenas duas dessas instituições. Comida, apoio emocional ou psicológico, roupas, carinho e abrigo são algumas das formas de ajuda que estas instituições têm para com estas jovens que se tornaram mulheres em tão pouco tempo mas que ainda não têm idade para trabalhar.

No Brasil a realidade não é diferente, num estudo realizado recentemente os números indicam que cerca de 20% das crianças que nascem no país são filhas de mães adolescentes.

Ficam aqui alguns contactos que podem ser úteis se estiver nesta situação ou se conhecer alguém que esteja a passar por isto:

ALGUMAS INSTITUIÇÕES PORTUGUESAS

 Ajuda de Berço (Lisboa)

Tel.: 21 362 82 74 / 76

 Vida Sim (Sintra)

Tel.: 21 924 4257

 Ajuda de mãe (Lisboa)

Tlf. 213827850

 Associação de Ajuda ao Recém-nascido

Telf.: Marina Arnoso 91 721 13 23

Luísa Lancastre 21 390 5453

 CENOFA – Centro de Orientação Familiar

Telf.: 21 397 9680

 ALGUMAS INSTITUIÇÕES BRASILEIRAS

 Apamesp – Associação Paulista dos Aposentados, Mães Solteiras, etc.

+ 55 (11) 43521182, São Paulo

 Associação de Mães Solteiras e Mães Carentes do Norte e Extremo

+ 55 (63) 34561183, Augustunópolis

 Creche Sorriso de Criança, Rio de Janeiro

Telf.: (21) 3366-0241

 Organização de Direitos Humanos Projecto Legal

www.projetolegal.org.br

 INDEC – Instituto de Desenvolvimento Cultural

 www.indec.ileomiojuaro@yahoo.com.br

 Amigasdo Parto

contato@amigasdoparto.org.br

 

“Um final feliz …”

 Embora este seja um panorama pouco sorridente das grávidas adolescentes (por tudo o que enfrentam e pela falta de apoio), existem casos onde as jovens, apesar dos problemas, têm “um final” feliz.

Tânia Silva tem 22 anos e já tem uma filha com seis. “Quando engravidei parecia que o mundo ia acabar para mim. Eu e o meu namorado estávamos com medo de contar aos nossos pais, mas com o tempo tornou-se difícil de esconder da minha mãe”. A barriga de Tânia cresceu e com apenas 16 anos não foi fácil guardar segredo e viu-se obrigada a contar à mãe quando já estava grávida de 4 meses “Não foi fácil, nem para mim nem para os meus pais. De imediato eles reagiram mal, mas acabaram por aceitar”. No entanto, apesar do apoio dos pais e do namorado nem tudo foi um mar de rosas, Tânia abandonou os estudos, teve uma anemia grave e acabou por sofrer um parto prematuro provocado por problemas na placenta. A Beatriz nasceu de sete meses de gestação devido à estatura da mãe “o médico fez-me uma cesariana chegando mesmo a dizer que o meu corpo ainda não estava preparado para ter um parto natural”.

Hoje a Beatriz é uma criança feliz que conta com o apoio dos pais e dos avós. Já Tânia espera que a filha não volte a cometer o mesmo erro que ela, “hoje não troco a minha filha por nada, mas na altura em que estava grávida deixei de fazer muitas coisas e passei a ser mulher muito cedo. Talvez se tivesse partilhado algumas coisas com a minha mãe nada disto tinha acontecido e quem sabe se hoje não estava a acabar a faculdade e a fazer aquilo que eu gosto … e assim não”.

Com um amor incondicional pela filha, mas com algum ressentimento de não ter vivido a sua adolescência como as amigas, Tânia conclui dizendo que se sente uma sortuda, pois sabe que na maior parte dos casos de mães solteiras, estas não têm a mesma sorte que ela.



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