Novos avanços na cura da endometriose

Novos avanços na cura da endometriose
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Embora não se conheçam as causas exactas desta doença, relativamente frequente, que afecta muitas mulheres na idade fértil são muitas as teorias e estudos sobre ela. Uma investigação da Universidade de Liverpool revelou que a responsável por esta doença poderá ser uma enzima que o corpo humano produz durante a menstruação.

Tudo sobre a endometriose

A endometriose é a aparição e o crescimento anormal de um tecido endometrial fora do útero, sobretudo nos ovários, nos ligamentos uterinos, na bexiga e nos intestinos. Este tecido cobre o útero e, durante a ovulação, prepara-se para receber o óvulo que vai aderir-se a ele. Se não se produzir a fecundação, tanto o óvulo como o endométrio, desaparecem durante a menstruação.

Todos os meses este tecido, que está fora do seu lugar, responde às alterações hormonais do ciclo menstrual, acumulando-se e desintegrando-se (tal e qual como o faz o endométrio) o que resulta numa hemorragia interna. A diferença é que o sangue deste tecido que está fora do lugar não tem para onde ir acabando por inchar e inflamar os vários tecidos. Em alguns casos o sangue pode formar umas bolhas de sangue que se transformam em quistos fibrosos.

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As ecocardiografias fetais (aquelas que servem para comprovar o correcto funcionamento do coração do feto) tiveram um grande avanço na localização e cura deste tipo de doenças presentes em 9 de cada 1000 recém-nascidos. Visto que é uma doença muito grave, o seu conhecimento prematuro faz com que estas crianças nasçam em centros especializados onde lhes poderão oferecer os melhores cuidados possíveis.

A endometriose encontra-se com mais frequência nos ovários, no entanto, também pode localizar-se nas trompas de Falópio, nos ligamentos que sustentam o útero, na área interna entre a vagina e o recto, na superfície externa do útero, no revestimento da cavidade pélvica, nos intestinos, no recto, na bexiga, na vagina, na vulva ou em cicatrizes cirúrgicas anteriores.

Esta doença é relativamente frequente nas mulheres na idade fértil. Estima-se que pode afectar 15% das mulheres. Para além disso, os especialistas relacionam esta doença com a infertilidade, já que cerca de 50% das pessoas que não podem ter filhos sofrem desta doença.

Sintomas da endometriose

Os sintomas que alertam para a endometriose podem variar de mulher para mulher no entanto, os mais comuns são:

- Cólicas menstruais intensas e dores no abdómen e na parte inferior das costas.

- Dor durante as relações sexuais.

- Infertilidade.

- Fluxo menstrual abundante.

- Fadiga e cansaço.

- Dor ao urinar durante o período menstrual.

- Dor ao evacuar durante a menstruação.

- Outros problemas gastrointestinais como diarreia,  prisão de ventre e/ou náuseas.

Há que destacar que o nível de dor sentida pode não estar directamente relacionado com a gravidade da doença. Algumas mulheres apresentam dores pélvicas contínuas mas outras não apresentam sintomas.

Qual é a causa desta doença?

A causa exacta desta doença não está clara. Várias são as hipóteses que se especulam. Uma das teorias é que durante a menstruação, parte do tecido menstrual regressa ao abdómen através das trompas de Falópio, onde se implanta e cresce. Outra teoria sugere que a endometriose pode ser genética ou pode ser hereditária.

Também se investigou o sistema imunitário e a maneira como o mesmo estimula a endometriose. Segundo estas hipóteses, pode acontecer que o sistema imunitário não elimine adequadamente o fluxo menstrual ou que as substâncias químicas produzidas nas áreas afectadas pela endometriose irritem ou impulsionem o crescimento de tumores em mais áreas. Um estudo recente demonstrou que as mulheres que sofreram desta doença têm mais probabilidades de sofrerem de transtornos do sistema imunitário nos quais o corpo ataca os seus próprio tecidos. Também descobriram que as mulheres com endometriose têm maiores probabilidades de sofrerem de fatiga crónica e de fibromialgia.

Outros investigadores estão a observar a endometriose como uma doença do sistema endócrino, do sistema das glândulas, das hormonas e de outras secreções, já que parece que o estrogeneo fomenta o crescimento desta doença. Também afirmam que certos agentes ambientais, como a exposição a substâncias químicas, podem ser a causa da endometriose.
 

Novos descobrimentos sobre a endometriose

Os estudos mais recentes apontam para uma nova possibilidade de que ao confirmar-se a causa da endometriose podem-se abrir novas opções para tratamentos definitivos e, quem sabe, até mesmo para a cura desta doença.
 

Estes estudos, levados a cabo por científicos da Universidade de Liverpool, revelam que uma enzima poderá ser a responsável pela endometriose: a telomerasa.

Esta enzima é libertada por células no interior do útero nos últimos momentos do ciclo menstrual nas mulheres que sofrem de endometriose. Não se encontra com facilidade no corpo, vive nas capas internas do útero e em algumas células especiais, como as do esperma e as células cancerígenas. A sua influência sobre as células associa-se à capacidade de estas se reproduzirem indefinidamente.

Dharani Hapangama, um dos autores da investigação, explicou que “as células do interior do útero são únicas e podem produzir esta enzima nos primeiros momentos da menstruação. Contudo, as mulheres que padecem de endometriose produzem esta enzima em ambos os momentos do ciclo menstrual. Isto significa que as células continuam a dividir-se e a perder a função de favorecer uma gravidez”.

De acordo com o cientista, a acção prolongada da enzima faz com que o útero se torne mais hóstil e as células, que aparecem na última fase do ciclo menstrual, fiquem mais agressivas e com uma maior capacidade de sobreviverem, de implantarem-se fora do útero e de provocarem dor.
 

Para realizar o estudo, os científicos ingleses avaliaram 29 mulheres que sofriam de endometriose e outras 27 livres desta doença. A ambos os grupos foram realizadas biopsias do tecido uterino em diferentes fases do ciclo menstrual, com a finalidade de determinar a presença e o comportamento da enzima telomerasa.
 

O tratamento contra uma doença incurável

O grande problema desta patologia é que não tem uma cura definitiva, daí a importância que tem qualquer descobrimento sobre a sua causa. No entanto, existem muitos tratamentos para diminuir a dor e favorecer uma gravidez.

  • Tratamento para a dor. Se os sintomas são leves pode ser que só sejam necessários analgésicos. Se a mulher quer ficar grávida, os médicos recomendam que vá tentando num período máximo de seis meses. Se não conseguir é porque será necessário um tratamento mais rigoroso.
  • Tratamento hormonal. Este tratamento é mais eficaz quanto menos tumores houverem. Existem várias hormonas usadas para este tratamento, incluindo uma combinação de estrogeneo e progesterona, como as pílulas anticonceptivas, a progesterona, a danocrina (hormona masculina), etc.

As pílulas anticonceptivas controlam o crescimento do tecido que reveste o útero e, frequentemente, diminuem a quantidade do fluxo menstrual. Uma vez que a mulher deixa de tomá-las, volta a sua capacidade de ficar grávida, no entanto, os sintomas da endometriose também podem reaparecer.

A danocrina é o tratamento mais comum. O problema é que as mulheres que seguem este tratamento não podem ficar grávidas pois podem prejudicar o feto.

Os agonistas da gonadotropina evitam que o organismo produza certas hormonas e, deste modo, evitam a menstruação. Sem menstruação o crescimento da endometriose reduz-se ou acaba mesmo. Recomenda-se que as mulheres sigam este tratamento durante seis meses, depois dos quais o corpo começará a ter períodos de novo e poderão voltar a engravidar. O problema é que cerca de metade das mulheres voltam a sofrer de endometriose.

  • Tratamento cirúrgico. Esta é a melhor opção para as mulheres com uma endometriose extensa e que sofrem de dores fortes. Pode-se levar a cabo uma laparoscopia mediante a qual se extraem os tumores e os tecidos afectados. A finalidade é tratar a endometriose sem danificar o tecido saudável que está em volta. A recuperação de uma laparoscopia é muito mais rápida do que numa cirurgia maior, como a laparotomia.

Existe uma série de tratamentos alternativos, cuja eficácia ainda não foi comprovada a cem por cento. Entre outros, a medicina tradicional chinesa, os planeamentos nutricionais (certas medidas dietéticas e a ingestão de alguns nutrientes que ajudam a reduzir o excessivo sangramento menstrual), a hemeopatia e a terapia imunológica.

Como enfrentar a endometriose?

É muito duro aceitar que sofre desta doença para a qual não há uma cura definitiva e que pode afectar a nossa fertilidade. Pode sentir-se triste, ter medo, ficar confusa, etc. Para conseguir superar tudo isto é muito importante receber o apoio de toda a família e aprender tudo o que pode sobre a doença. Para além disto, deve estar atenta aos novos avanços que se vão alcançando, pois podem, a qualquer momento, descobrir um tratamento definitivo. Fale com as pessoas certas acerca daquilo que sente e contacte com outras mulheres que já passaram pelo mesmo.

 

Fuente: Human Reproduction

Redacción: Irene García


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